A crise, essa (des)conhecida

Máximo José Trevisan

Há uma palavra dita, escrita e divulgada dezenas, centenas de vezes ao dia, neste tempo veloz e turbulento: a palavra crise.
Não se trata de um termo com origem, cor e jeito locais, mas é familiar em países desenvolvidos e subdesenvolvidos, nas rodas econômicas, sociais e políticas, em encontros de religiosos e de bandidos, em reuniões de líderes mundiais e de chefes de quarteirão. A crise é universal.

Discute-se hoje (e muito) a crise –o que é, como se apresenta, quem são os seus responsáveis, de que remédios dispomos para solucioná-la ou combatê-la (há os que entendem que ela é uma batalha!…).Não há dúvida sobre o estado de crise em que todos vivemos, do jovem ao velho, do pequeno ao grande, do analfabeto ao letrado.

São palavras identificadoras de uma crise: ruptura, mudança, conflito, desarmonia, carência. O estado de crise reflete e representa a situação e o fato onde os elementos básicos mencionados estão presentes, com maior ou menor intensidade, com mais ou menos vigor.

O modo de encarar a crise distingue pessoas e organizações. Há os que negam ou subestimam as causas e conseqüências. Há os que as supervalorizam e engrandecem.Uns são tomados por uma euforia enorme diante dela pelo desconhecimento ou por inconsciência. Outros, que a tomam por muito maior, freqüentemente entram em depressão e estado de impotência, na sua análise e solução. A crise exige uma atitude racional e um exercício dos sentimentos rumo ao equilíbrio, capazes de gerar uma percepção adequada e real, condição de uma possível solução razoável e consentânea com a sua natureza e seus participantes.

A crise não acontece por acaso, está conosco sempre, adormecida ou desperta, silente ou agressiva, suportável ou insuportável, como uma criança arteira ou um velho esclerosado. A crise é parte e companheira dos homens no mundo, desde ontem, agora e sempre. Quem viveu, sabe; quem vive sente; quem viver será testemunha no futuro.

Para encarar a crise, seria preciso educar-se. Aqui cabem as palavras da educadora Dalila Sperb “aprender a aprender, aprender a viver e aprender a ganhar a vida”.Devemos ser, na condição de humanos, permanentes aprendizes de como descobrir o mundo, de como conquistá-lo. Acostumaram-nos, principalmente, à reação, quando a sabedoria leva à pró-ação; fomos mais censurados do que incentivados à leitura da realidade, mais rígidos no combate ao mal do que na prática do bem, mais ágeis na defesa do que no preparo para o combate. Precisamos hoje, mais do que ontem, aprender a aprender, assenhoreando-nos do como, para investir no aprender a viver (o que pouco sabemos). A crise não existe para ser negada ou apreciada demais, para ser conhecida ou bisbilhotada. Devemos nos educar para compreendê-la. O desconhecido ameaça até por ser desconhecido. A noite não assusta (tanto) o guarda-noturno; a doença é mais familiar ao médico. Importa (quem sabe) pela educação (pobre palavra tão sofrida e maltratada!) descobrirmos a grande aprendizagem – a aprendizagem do viver – que possibilitará a descoberta dos fins, dos valores essenciais, do sentido da vida, de como viver, que todos (mais ou menos) necessitamos para vivermos felizes, na condição de humanos, irmãos de destino e de carruagem.

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    • http://www.professorpizarro.blogspot.com James Pizarro

      Desde pequenino eu ouço falar em crise. Crise na família, escola,cidade,clube,finanças,prefeitura,agricultura, exportação,pcuária,namoro,casamento,etc…
      E todo mundo acha uma saída e sobrevive.
      Crise é salutar. Produz crescimento e inovação. Atiça o imaginário e a critatividade.
      A crise é dura para quem é…mole.

      James Pizarro
      http://www.professorpizarro.blogspot.com

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