Hélio Adelar Rubert
Na Quarta-feira de Cinzas, abrimos a Campanha da Fraternidade 2009 com o tema: “Fraternidade e Segurança Pública” e com o lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32,17).
É uma campanha quaresmal que une em si as exigências da conversão, da oração, do jejum e da doação. É um chamado forte a renovar a vida da Igreja, a transformar a sociedade a partir de um tema específico abordado à luz do projeto de Deus.
O tema da “Segurança Pública” é social. Convoca os cristãos e todas as pessoas de boa vontade a uma maior participação nos sofrimentos de Cristo com possibilidade de auxílio aos pobres.
Uma primeira atitude é olhar a CF com enfoque positivo. Tanto a oração da Campanha quanto o hino estão num claro sentido de esperança. O objetivo da Campanha não é só denúncias, mas criar condições necessárias para que todos vivam em segurança, na paz e na justiça que tanto se deseja.
Para ajudar na compreensão do tema da CF 2009, a CNBB preparou um Texto-Base com o método do Ver, Julgar e Agir. Este material pode ser encontrado nas livrarias católicas e outras. É um material muito bem pesquisado e apresentado com fundamentação sólida.
O texto parte sempre da realidade atual. No Brasil os números da violência são alarmantes. Uma pesquisa situa o Brasil na quarta posição dos 84 países pesquisados com mais violência. A CF quer alertar a triste realidade em que vivemos com tantos tipos de violências, algumas das quais a sociedade nem percebe, por exemplo: a violência psicológica ou a agressão emocional, a diferença entre as classes sociais, os desvios no comportamento sexual, no alcoolismo e uso de drogas, etc…
Pode-se distinguir três tipos de violência: a) a estrutural, baseada na discriminação social; b) a física que é visível e concreta sob tantas formas e c) a violência simbólica que se manifesta nas situações de ameaças, humilhações e pressões sociais.
Numa visão global pode-se elencar as várias formas de violências apresentadas no Texto-Base da CF 2009: – a violência no ambiente familiar; a violência contra o nascituro e sua mãe; a violência entre os grupos sociais; a violência do racismo; a violência no campo; contra os povos indígenas; no trânsito; contra a ecologia; contra os defensores de direitos humanos; a violência policial e a violência contra os policiais. Pode-se elencar também as violências no mundo da saúde, da religião e das comunicações. São tantas formas de violências modernas.
A CF, porém, procura iluminar o tema com a luz da Palavra de Deus, o testemunho de Jesus, dos profetas e dos cristãos. Tudo se constitui fundamento e iluminação para os caminhos da paz como fonte da justiça. Existiu e existe muita gente que quer contribuir. Por isso, todos são convocados a trabalhar pela cultura da paz.
O que poderia dar resultado? Certamente o que Jesus pregou e fez. Também a educação, seguida da política de paz e justiça, o trabalho, a oração, a disciplina, etc…
O terceiro grande momento do Texto-Base é o AGIR. Nesse campo entram muitas sugestões e se abre espaço para a criatividade popular e das lideranças em todos os níveis. O agir não se limita só aos cristãos, mas a toda sociedade humana. É urgente enfrentar coletivamente as causas da injustiça social, da desvalorização da pessoa humana e da perda dos valores. São sugeridas ações educativas na família, nos meios de comunicação social, nas escolas públicas e particulares, e campanhas educacionais para a paz.
A CF não apresenta receitas prontas, mas quer dar sua contribuição. Somos convidados a orar, apoiar e participar nessa importante campanha pela “Fraternidade e Segurança Pública”.