Campanha da fraternidade e ações concretas

Hélio Adelar Rubert

Anualmente realizamos no Brasil a Campanha da Fraternidade durante o período da Quaresma. Neste ano de 2009 o tema é: “Fraternidade e Segurança Pública” e o lema: “A paz é fruto da justiça” (Is 32,17).

A metodologia empregada é sempre constatar a situação atual da Segurança Pública, iluminar a realidade com a Palavra de Deus e buscar ações concretas para superar as necessidades. Hoje focalizamos nossa atenção sobre as ações concretas.

O compromisso na luta contra as causas e fatores que geram insegurança social é de todos, pois todos aspiram soluções rápidas.

Citam-se entre as causas que geram insegurança:

- o modelo social centrado no econômico-financeiro; tudo gira ao redor deste modelo de modo que outros valores são relativizados. Essa idolatria do dinheiro gera violência, frustração, exclusão social e a negação do bem comum; – a injustiça social; – a desvalorização da pessoa humana pelo valor econômico; – a pobreza, a miséria, a fome e a exclusão social. As necessidades básicas como a alimentação, moradia, vestuário, saúde, educação não ganham a sua devida satisfação e, com isso, geram a violência; – a educação de má qualidade; – os meios de comunicação social que, às vezes, incitam as pessoas à violência; – o individualismo e o subjetivismo impedem a superação da insegurança pública; – a violência precisa também ser percebida na realidade familiar e comunitária; – o sistema carcerário atual exige um novo modelo penal.

Intuímos que a mudança social passa pela educação: – a família deverá ser a primeira a assumir o papel de educadora de seus filhos na cultura da paz, a partir dos valores do Reino de Deus; – a realização da CF nas escolas públicas e particulares divulgando o tema da segurança pública entre alunos, professores, funcionários e familiares; – o comprometimento do Estado e a sociedade organizada por campanhas de conscientização; – o compromisso por campanhas educacionais nas diferentes confissões religiosas e comunidades para a segurança pública e a paz nas comunidades e sociedade.

Algumas ações concretas podem ser feitas como: – desenvolver nas escolas o compromisso de todos na conquista da paz e da segurança junto aos professores; – produção de material para os pais e educadores em vista da formação das crianças e dos adolescentes; – a criação de centros de formação que falem da segurança pública; – formação de leigos e leigas em vista da construção de uma sociedade segura; – a inclusão da segurança pública nos programas de formação para iniciação cristã e pastoral da juventude; – fortalecer a família para a missão de educar os filhos nos autênticos valores humanos e cristãos; – superar a violência doméstica; – promover fóruns e seminários que estudem temas sobre a segurança pública; – incentivar as universidades e os centros de investigação para que promovam cursos de pós-graduação em segurança pública; – atuar junto aos meios de comunicação social para um aprofundamento do tema da segurança pública; – sugerir aos jornais, rádios e agentes de comunicação que abordem o tema da segurança pública; – criar espaços na Internet para discutir temas da CF atingindo principalmente os jovens; – produzir DVDs, programas de rádio, música que fortaleçam a mentalidade da cultura da vida, da justiça de da paz; – aprofundar questões de segurança pública com palestras destinadas às lideranças religiosas, penais, educacionais, militares e civis.

Algumas outras ações podem ser desenvolvidas na comunidade eclesial e na sociedade como: – assegurar serviços de caridade para com as vítimas da violência e seus familiares; – apoiar as associações que lutam para superar as causas da insegurança; – promover o diálogo com os poderes públicos, leis e políticas públicas que permitam a construção de uma sociedade mais segura; – organizar casas de acolhida que atendam com compaixão e solidariedade as vítimas da violência e os grupos de risco; – fortalecer as pastorais sociais, sobretudo, a pastoral carcerária; – promover dinâmicas de perdão entre as famílias; – denunciar toda forma de trabalho escravo, tráfico de pessoas, exploração sexual, violência doméstica particularmente contra a mulher, a criança e o idoso; – trabalhar pela prevenção do uso das drogas; – acompanhar os usuários de drogas e recuperar a sua auto-estima e vencer esta enfermidade; – ter presente o diálogo ecumênico para a busca de caminhos na construção da vida segura…

Todas estas ações, e outras, deverão ajudar na superação da violência e na construção da cultura da paz nas pessoas, na família, na comunidade e na sociedade.

Compartilhe nas redes sociais!
    Tags:
    Poderá gostar também de:

    Dados desta matéria