Darwin e um Criador bem humorado

Fábio Vasconcelos

Charles Darwin nasceu na casa da sua família em Shrewsbury, Shropshire, Inglaterra, em 12 de fevereiro de 1809 e faleceu em Downe, Kent, em 19 de Abril de 1882. Ele era um homem quieto, de família, cuja vida foi marcada por doenças. Ele nasceu em uma casa no afluente Shrewsbury e foi para Cambridge estudar teologia para ser ministro anglicano, concluindo teologia em 1831. Naquele mesmo ano ele foi convidado para participar como naturalista do navio HSM Beagle, a fim de navegar em volta do mundo fazendo pesquisas. Isso mudou a sua vida e o curso da ciência. Na viagem ele estava mais interessado em geologia e só mais tarde “deslocou-se” para a biologia.

Como resultado, ele escreveu um curto livro A Origem das Espécies, que foi publicado em 1859.

Durante os vinte anos seguintes, ele escreveu uma série de livros biológicos sobre orquídeas, plantas insetívoras, trepadeiras, de autofertilização em plantas, e, finalmente, sobre vermes. O livro que rendeu o maior desafio para alguns foi A Descendência do Homem (1871), que afirmava uma visão totalmente evolutiva dos seres humanos. Seus trabalhos publicados encheram 29 volumes e representaram a vanguarda da biologia no seu tempo.

Darwin denota ter sido um homem de grande espiritualidade, e oscilou entre um vago teísmo e o ateísmo, e manteve seus motivos para permanecer agnóstico. Alguns estudiosos de sua vida defendem o argumento de que ele perdeu a fé após a morte de sua filha de dez anos idade, Annie, porém, não com base em provas sólidas. Entretanto, em Downe ele se tornou um forte colaborador e membro mantenedor da igreja anglicana local.

Darwin foi uma pessoa de grande moral, tanto em sua vida pessoal como em sua preocupação para com os outros. Ele apoiou muitas causas nobres, incluindo as agências missionárias como a SAMS (Sociedade Missionária para a América do Sul). Ele foi da terceira geração dos Darwin-Wedgwood que se voltou contra a escravidão. Ficou chocado com a escravidão no Brasil e em 1860 se opôs à escravatura nos Estados do Sul do EUA. Mesmo assim, foi acusado de racista pelos anti-evolucionistas. Um estudo atento na história não comprova isso, e como exemplo, podemos constatar que o anti-evolucionismo tem muitas vezes resultado em racismo como nos Estados do Sul dos EUA e na Apartheid da África do Sul.

A percepção popular é que os cristãos têm sido sempre implacáveis na oposição a Darwin. Inicialmente alguns cristãos, que aceitaram geologia, rejeitaram a evolução por diversas razões, mas nenhuma posição de um casal original da espécie apresenta uma terra que não pode ser mais antiga que 10.000 anos.

A partir de 1780 muitos anglicanos apoiaram o surgimento da ciência da geologia e de alguns geólogos do mundo antes de Darwin. No período de 1800 a 1855, mais de 80% do clero anglicano aceitou a geologia. Posteriormente, a reação no cristianismo a Darwin foi variada, alguns, entretanto aceitando evolução. Durante décadas muitos anglicanos pensaram em aceitar a evolução, mas em muitos momentos insistiu-se na criação direta de seres humanos. Esta aproximação entre cristianismo e evolução continuou até 1980, com a maioria aceitando a evolução, incluindo a muitos dos evangélicos, com uma minoria discordante, mas não rejeitando a evolução geologia da terra.

Contra isso a maioria dos cristãos, anglicanos ou não, simplesmente não se importa muito com as dúvidas sobre evolucionismo. Curiosamente, durante os últimos 130 anos muitos escritos de teólogos anglicanos têm alegremente aceitado o evolucionismo, sejam eles conservadores ou liberais.

Pode-se entender porque alguns cristãos são perturbados pela teoria de Darwin ou pelo o evolucionismo, por sua vez, todo o cenário de cinco mil milhões anos de idade da Terra começou por produzir vida há quatro bilhões de anos atrás e, em seguida, em última análise, toda a variedade de vida conhecida até aqui.

Afinal, o que é relevante na criação do ser humano?

Hoje, diante do bicentenário de Darwin nós sabemos o quanto é empolgante e fantástico perceber com reverência e admiração a CRIATIVIDADE do Criador. Quanto mais se estuda o homem, quanto mais se respeita Darwin, mais me impressiono apaixonadamente pela pelo tremendo bom humor do nosso Criador da Vida.

Acho que ele dá tremendas gargalhadas de tudo isso…

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