Estado, educação e cidadania

Antônio Cândido Ribeiro

A complexidade do Estado moderno, as exigências de consecução de seus fins ( realização do bem público), a escassez de recursos para atendimento de um número cada vez maior de demandas sociais e o fim do sonho do Estado de Bem-estar Social (Welfare State) geram uma relação tumultuada, de permanentes conflitos entre administradores e administrados, em face da necessidade de carrear aos cofres públicos, basicamente atra-vés da arrecadação tributária, os recursos necessários ao atendimento daquelas demandas.

Assim, de um lado, temos os Entes públicos (União, Estados, Municípios) que ne-cessitam atender reclamos quanto à educação, à saúde e à segurança, só para ficarmos no tripé fundamental dos compromissos estatais e, de outro, os cidadãos compelidos, por força daquelas exigências, ao desembolso de uma carga tributária cada vez maior. E a relação estado-cidadão se complica ainda mais, em razão da sempre controvertida ques-tão da adequada aplicação dos recursos carreados ao Erário em decorrência das imposi-ções tributárias.

Óbvio, que, no espaço exíguo deste pequeno artigo, não se pretende esgotar quaisquer discussões quanto ao tema. O que se quer é chamar a atenção para a necessida-de de que cada cidadão seja um agente culturalmente responsável pela sua parte na imen-sa e intrincada cadeia sócio-econômica que mantém em funcionamento o aparato estatal. O Estado mínimo que muitos pretendem e reclamam não tem como atender as demandas da sociedade, senão de forma claudicante e cada vez menos efetiva. Se, com o Estado que temos, as coisas funcionam precariamente, a tendência é que, num estado diminuído, es-vaziado em seu aparato (não-regulador, não-arrecadador, não-fiscalizador), em que tudo seja deixado à feição dos interesses de grupos sociais e econômicos mais fortes e mais bem organizados, o que hoje é ruim se transforme no caos.

A manutenção de um Estado que atenda minimamente às nossas expectativas pressupõe educação (no sentido mais abrangente do termo), consciência de cidadania e permanente vigilância. Se eu achar normal furar a fila, desrespeitar regras de trânsito, se não emito nota fiscal (e, portanto, sonego impostos), não posso, impavidamente, como se nada disso me dissesse respeito, pretender que o Estado atenda minhas necessidades bási-cas. O desafio, portanto, é encontrar o ponto de equilíbrio entre as possibilidades do Po-der Público e as necessidades da coletividade. E só será possível encontrá-lo se todos nós assumirmos o compromisso ético de agir como cidadãos. Isso implica, está visto, além da plena possibilidade de exercício de direitos, responsabilidade, individual e coletiva, pelo cumprimento de deveres e obrigações. A consciência desse fato, só a adquiriremos com educação. Por isso, são fundamentais ações como o Programa Municipal de Educação Fiscal, sobre o qual, oportunamente, voltarei a falar.

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    • RENATA PEREIRA

      Primeiramente gostaria de parabelizar o excelente texto… a consciência cidadã é algo que ajudará muito a trilharmos o rumo de um mundo mais justo…
      Falando em justiça… vocês sabiam que um estagiário de Direito no MPF trabalhando 20 horas semanais recebe uma bolsa no valor de R$700,00… (http://www.prrs.mpf.gov.br/app/iw/nti/publ.php?IdPub=41053) MUITO MERECIDO… bastante almejado e concorrido…
      Porém… para minha tristeza… ALGO MUITO INJUSTO… um estagiário (monitor) na prefeitura de Santa Maria – receberá por 30 horas semanais… o valor de R$ 2,40 não errei na digitação…. confira você mesmo!!! (http://www.santamaria.rs.gov.br/docs/edt_smadh_2009-ciee.pdf)… gente estamos falando de no máximo R$288,00 por mês… Sei que dei o exemplo acima do Ministério Público Federal – não é pouco… é muito… é essencial…. mas cidadãos… estou falando agora de uma pessoa que está cursando Pedagogia… ela estará lidando com crianças… futuro… ele merecia ao menos um salário mínimo… vale transporte… EU NÃO ME ESCREVI PARA ESSA SELEÇÃO… prefiro ser voluntária… Acho fabuloso dar aulas… crianças dão muitas alegrias… elas tentam recompensar a atenção que dispomos a elas com muito carinho… essas coisas não têm preço… MAS vivemos num mundo capitalista… a falta de dinheiro leva à frustações… infelizmente é díficil trabalhar e não conseguir pagar as contas… viver deste trabalho… o caso é.. POR QUE não dão valor aos professores??? por que um estagiário de direito pode ganhar R$700,00 e um de pedagogia apenas R$288,00… REAFIRMO não estou desmerecendo ninguém… mas acho que os futuros pedagogos estão sendo humilhados… R$14,40 por dia… é um absurdo… é um desrespeito… fui estagiária de curso técnico em informática e ganhava mais de um salário mínimo… sem mais…

    • KELLI OCEANNY

      :) :) Estou estudando sobre o assunto e preciso de ajuda sobre mais um pouco sobre o mesmo ” estado,educaçãoe cidadania”

      Estou
      no primeiro semestre de pedagogia pela ufpa e agradeceria muito pela ajuda……… É um fim de disciplina e a minha equipe seria muito grata……… :oops: :P :lol: :?:

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