Padre Francisco Bianchini
Continuarei a fazer Páscoa, não apenas como ritual, embora extremamente rico e belo; nem como uma liturgia de uma semana, mesmo que tenha sido uma experiência maravilhosa, mas como um acontecimento permanente.
Farei da Páscoa um convite para cada dia, um impulso renovador, um desafio alegre, um acontecimento permanente, uma missão especial.
Farei da Páscoa um motivo sempre renovado de esperança, uma energia vital para cada dia, uma força propulsora de um mundo novo.
Farei da Páscoa um constante voltar ao túmulo vazio, constatar a presença dos lençóis dobrados, abandonados, mas tendo a certeza de que Ele realmente ressuscitou.
Farei da Páscoa um imitar as Marias que de madrugada se dirigem ao sepulcro para se encontrarem com o Mestre.
Farei da Páscoa um constante correr até os meus irmãos para, com entusiasmo, contar que encontrei o túmulo vazio, que disseram que Ele está vivo, que Ele apareceu às mulheres, que é para esperá-Lo na “Galiléia”, pois lá Ele se mostrará.
Farei da Páscoa a maravilhosa experiência de voltar-me para trás muitas vezes para ouvir chamar-me pelo nome e, assim, reconhecê-Lo.
Farei da Páscoa um motivo de caminhar para “Emaús” a fim de sentir o coração arder pela presença de um caminhante que se junta aos meus passos, que me interroga, questiona-me, mas também, explica-me as Escrituras…
Farei da Páscoa um aceitar o convite para sentar à mesa com Ele e reconhecê-Lo ao partir o pão, deixar-me tomar de tanta alegria, a ponto de sair correndo contar aos demais o maravilhoso encontro de estar com Ele à mesa, de ouvir de novo Suas palavras e vê-Lo partir o pão e ter certeza de que Ele está vivo.
Farei da Páscoa a razão para lutar para que o mundo entenda que a morte não tem mais a última palavra, que ela foi derrotada.
Farei da Páscoa o argumento maior para dizer a todos que o pecado, que feriu o ser humano, não só foi ferido, mas também foi derrotado.
Farei da Páscoa o argumento fundamental para anunciar a vida, proclamar a Paz, propor a fraternidade e a igualdade.
Farei da Páscoa a verdade mais contundente para pregar o perdão, a compreensão e a misericórdia.
Farei da Páscoa o sentido primeiro da minha vocação, a alegria de meu trabalho, o entusiasmo pela evangelização.
Farei da Páscoa o critério de julgamento do bem e do mal, da verdade e da mentira.
Farei da Páscoa a inversão de minha mentalidade, deixando a lei, os mandamentos e os ritos em segundo plano, para colocar em primeiro lugar as pessoas, e, sobretudo, o amor.
Farei da Páscoa o marco divisório de minha vida, porque agora existe Alguém que caminha à minha frente, que é a Verdade, que é a Vida plena.
Farei da Páscoa um programa missionário, um roteiro de vida e um alimento permanente da esperança.
Enfim, farei da Páscoa um ponto de referência para todas as minhas atitudes e decisões, um novo ponto de partida para a minha vida, o fundamento, o centro de minha fé. O itinerário de minha formação e minha vivência cristã. O caminho para evangelizar.