Vitor Biasoli
A Feira do Livro deste ano coloca em cena três figuras admiráveis: o patrono da Feira, Humberto Zanatta; o patrono da Feira Infantil, Byrata; e o escritor homenageado, Luiz Guilherme do Prado Veppo. Os três com intensa participação nas atividades culturais da cidade.
Em 1998, eu estava envolvido com eles na produção de um pequeno livro, chamado “Quarteto in prosa e verso”. O livro reunia crônicas e poemas de quatro amigos (Prado Veppo, Humberto Zanatta, Orlando Fonseca e eu) e o Byrata era o responsável pela parte gráfica do trabalho. Dois anos antes, nós quatro havíamos feito um outro livro coletivo (“Quarteto in verso”) e o resultado visual fora sofrível. Então decidimos convidar um artista para a produção gráfica e entramos em contato com o Byrata. Ele fez a diagramação dos textos, a arte final do livro e o resultado foi excelente – pena que a gráfica, ao imprimir o material, matou o requinte da criação. Mesmo assim, o livro ficou superior ao que fizéramos em 96.
O livro foi feito em algumas semanas e o ateliê do Byrata funcionou como QG da produção. O Veppo apareceu lá diversas vezes e, junto com o Byrata, fez pequenas alterações nos seus poemas: a troca de uma palavra e outra, o aprimoramento de um verso aqui e ali, essas coisas. O Byrata demorou um pouco pra finalizar o trabalho e nós ali, na expectativa, temerosos de que o material não entrasse na gráfica em tempo hábil para o dia do lançamento na Feira.
Numa manhã de sábado, o Veppo e eu nós reunimos no ateliê no Byrata (na verdade, uma garagem transformada em escritório de criação) e escrevemos a apresentação. Ou melhor, Veppo ditou o texto caminhando pela sala, enquanto eu, sentado diante de uma mesa, anotava o que ele dizia. Era uma história simples e bonita, dessas que o Veppo sabia narrar como poucos. Uma história passada no Café Expresso, na praça Saldanha Marinho, no tempo em que estava sendo construída a comunicação entre a avenida Rio Branco e a rua do Acampamento. O Veppo tinha ido tomar café, comentava com um amigo a morte recente do poeta Paulo Leminski, aos 40 anos, devido ao álcool e outras drogas, e queixava-se: “Como ele pode fazer isto com ele e conosco!” Então um sujeito se vira pra o Veppo e pergunta se a vida pode ser medida pelo comprimento e pela largura. Em resumo, se podemos lastimar uma vida curta, se uma vida é menos porque durou pouco, se uma vida é mais porque atravessou várias décadas…
Uma questão e tanto! Um questionamento grave que acompanhava nossas conversas: Como avaliar uma vida? Como saber se ela tem sentido ou não? Talvez fazendo livros, eu respondo agora, talvez se envolvendo com livros – e tendo uma ou outra história para contar.