Bachianas Nº 2 e Nº 5 são as tocadas de Villa-Lobos
Foto Divulgação / A Razão

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Cinquenta anos após sua morte, Heitor Villa-Lobos ainda é vivo na memória de muitos e tem suas obras executadas em shows, emissoras de tevê e rádio, cinemas, além de suas canções sonorizarem ambientes por todo o Brasil. De acordo com levantamento do Ecad (Escritório Central de Arrecadação e Distribuição), as duas obras do maestro mais tocadas em 2008, bem como nos últimos cinco anos, foram “Bachianas Brasileiras nº 2″, seguida de “Bachianas Brasileiras nº 5″.

O sucesso de tais obras deve-se, principalmente, a duas melodias: “Ária” das “Bachianas Brasileiras nº 5″, que compete em popularidade com “O Trenzinho do Caipira”, movimento final das “Bachianas Brasileiras nº 2″. Boas gravações não faltam desta última, como as dos maestros Eugene Goossens e Eduardo Mata. Com letra de Ferreira Gullar, “O Trenzinho do Caipira”, na versão vocal, foi registrado por Ney Matogrosso.
As obras de Heitor Villa-Lobos mais executadas em 2008 e nos últimos cinco anos foram:

1 – Bachianas Brasileiras nº 2
2 – Bachianas Brasileiras nº 5
3 – Melodia Sentimental
4 – Bachianas Brasileiras nº 4
5 – Bachianas Brasileiras
6 – Valsa da Dor
7 – Canção do amor
8 – Veleiros
9 – Choro Nº 1
10 – Fantasia para Saxofone Soprano ou Tenor e Pequena Orquestra

Ranking
As 10 obras mais executadas em 2008 – Todos segmentos (Emissoras de televisão e rádio, cinemas, sonorização ambiental, Shows etc)
1 – Bachianas Brasileiras nº 2
2 – Bachianas Brasileiras nº 5
3 – Dança do Índio Branco
4 – Melodia Sentimental
5 – O Polichinelo
6 – Bachianas Brasileiras nº 4
7 – Brincadeira de Pegar
8 – Quarteto de Cordas nº 1
9 – Saci
10 – Bachianas Brasileiras nº 7

As 10 obras mais executadas nos últimos cinco anos (2004 a 2008) –
1 – Bachianas Brasileiras nº 2
2 – Bachianas Brasileiras nº 5
3 – Bachianas Brasileiras nº 4
4 – Melodia Sentimental
5 – Bachianas Brasileiras
6 – Valsa da dor
7 – Bachianas Brasileiras N.1
8 – Canção do Amor
9 – O Trenzinho
10 – Choro Nº 1

Carreira começou aos seis anos
Heitor Villa-Lobos nasceu a 5 de março de 1887, no Rio de Janeiro. Recebeu sua primeira instrução musical aos seis anos, vinda do pai, que adaptou uma viola para que o filho pudesse estudar violoncelo.

Sua formação musical foi muito influenciada pelas noites de sábado da casa dos Villa-Lobos que recebiam grandes nomes da época para cantar e tocar até de madrugada. Sua tia Fifinha lhe apresentou os Prelúdios e Fugas do Cravo bem temperado de J. S. Bach, compositor que lhe serviu como fonte de inspiração para a criação das nove Bachianas Brasileiras.

Autodidata, viajou pelo interior do Brasil pesquisando seu folclore e entrando em contato com uma música diferente da que estava acostumado a ouvir: modas caipiras, tocadores de viola e outros tipos que mais tarde viriam a universalizar-se através de suas obras.

Villa-Lobos passa a apresentar-se oficialmente como compositor a partir de 1915, com uma série de concertos no Rio de Janeiro. Foi duramente criticado pela imprensa pela “modernidade de sua música”. Em fevereiro de l922, participou da Semana de Arte Moderna apresentando, dentre outras obras, as Danças características africanas.

Começa a ganhar a Europa em l923. No seu retorno de Paris, no ano seguinte, Manuel Bandeira saudava-o da seguinte maneira: “Villa-Lobos acaba de chegar de Paris. Quem chega de Paris espera-se que chegue cheio de Paris. Entretanto, Villa-Lobos chegou cheio de Villa-Lobos”.

Retorna à Paris em l927, para organizar concertos e publicar várias obras. No segundo semestre de 1930, volta provisoriamente ao Brasil para a realização de um concerto em São Paulo. Apresenta um revolucionário plano de Educação Musical à Secretaria de Educação do Estado de São Paulo e, com a aprovação do mesmo, acaba mudando-se definitivamente para o Brasil.

Após dois anos de trabalho em São Paulo, Villa-Lobos foi convidado pelo Secretário de Educação do Estado do Rio de Janeiro – Anísio Teixeira – para organizar e dirigir a Superintendência de Educação Musical e Artística (Sema), que introduzia o ensino da Música e o Canto Coral nas escolas. Apoiado pelo então Presidente da República, Getúlio Vargas, organizou Concentrações Orfeônicas, chegando a reunir, sob sua regência, até 40 mil escolares. Em 1942, criou o Conservatório Nacional de Canto Orfeônico.

Convencido pelo Maestro Leopold Stokowski, seu amigo desde Paris, aceitou, em 1944, o convite do Maestro norte-americano Werner Janssen para uma turnê pelos EUA, para onde voltou várias vezes.

Heitor Villa-Lobos morreu de câncer em 17 de novembro de 1959, no Rio de Janeiro.

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