Por serem músicos de sucesso, Osvaldir e Carlos Magrão já rodaram muito por este Brasil, sempre levando as canções do Rio Grande para vários Estados e as mais diversas cidades. Mas um desses espetáculos foi muito especial e os dois queriam voltar e cantar para uma platéia muito especial formado por músicos e apreciadores da música erudita: o Festival de Inverno da UFSM, em Vale Vêneto. E foi isto que aconteceu na última terça-feira, quando arrebataram o público com interpretações acústicas de sua música.
“Aquele show de 2008 no Festival de Inverno da UFSM foi um dos melhores de nossa carreira. Fizemos um espetáculo acústico, mais íntimo, só com gaita e violão. E aí, percebemos que poderíamos cantar aquelas músicas que gostamos e não poderíamos tocar nos grandes shows. Foi emocionante. Queríamos voltar, só faltava a oportunidade e ela chegou hoje (terça-feira) novamente”, enfatizou Osvaldir.
Em Vale Vêneto, a dupla aproveitou para apresentar ao público especializado do festival o seu mais novo trabalho: o CD “Clássicos”, que resgata as canções vencedoras dos grandes festivais da música gaúcha de todos os tempos como Veterano, Romance da Tafona, Pealo de Sangue, Orelhano, Sabe Moço e Negro da Gaita, entre outras. Todas cantadas com aquele estilo peculiar que consagrou a dupla e a tornou famosa em todo Brasil.
Outro projeto de Osvaldir e Carlos Magrão, que logo chegará às lojas, é a gravação de um DVD para comemorar os 25 anos de carreira. “O DVD será gravado em setembro ou outubro no auditório da universidade de Ijuí. A direção será do Teddy Correa em parceria com o santa-mariense René Goya. Já convidamos, como participação especial, o Sergio Reis e o Zezé de Camargo e o Luciano. Os três já aceitaram, falta apenas marcar a data conforme a lotada agendas de nossos amigos”, disse Carlos Magrão.
Questionados sobre como eles viam e sentiam a música gaúcha nesses últimos tempos, foram taxativos: “O sertanejo universitário veio com tudo e tomou conta do mercado fonográfico brasileiro”, ressaltou Osvaldir e foi completado por Magrão: “Já vimos até mesmo músicos gaúchos consagrados irem para outros estados para tocar sertanejo e sobreviverem de música. A música gaúcha esta perdendo espaço. Nós estamos bem e vivendo dela porque, afinal, temos 25 anos de estrada, 14 CDs e somos conhecidos em Mato Grosso, Paraná, São Paulo, Santa Catarina, além do Rio Grande do Sul”.
O certo é que ouvir Osvaldir e Carlos Magrão é escutar o Rio Grande de hoje, do gaúcho que cultiva suas tradições, mas usa calças jeans. Do rio-grandense que se orgulha do seu passado, mas olha para o futuro sem preconceitos ou bairrismos extremados. Afinal, as canções dessa dupla são músicas para o gaúcho cantar.