Confie no Brasil e na Argentina e ninguém sai perdendo

 

“As Melhores Coisas do Mundo”, é voltado ao universo adolescente

JAIR ALAN
jairalan@smail.ufsm.br

Ana Luiza Azevedo já tinha conquistado respeito como curta-metragista. Sua estreia no longa com “Antes que o Mundo Acabe” manteve este conceito. Há uma coleção de elogios e prêmios para comprovar. Há muito tempo não via um filme brasileiro ser recebido com tanto carinho e tanta emoção. Ana Luiza foi assistente de direção de Carlos Riechembach e Jorge Furtado, um dos roteiristas do filme. Teve apoio também de Paulo Halm, Giba Assis Brasil e da Casa de Cinema de Porto Alegre, uma das principais produtoras cinematográficas brasileiras.

Filmado em Taquara, Rolante e Santo Antônio da Patrulha, o longa conta uma história ambientada numa pequena cidade agrícola no Rio Grande do Sul. Baseado no romance homônimo de Marcelo Carneiro da Cunha é a história de Daniel (Pedro Tergolina), namorado de Mim (Bianca Menti) e melhor amigo de Lucas (Eduardo Cardoso). Ele é um menino de 15 anos, mergulhado em seu pequeno mundo, com problemas que parecem insolúveis: uma namorada que não sabe o que quer, um amigo que está sendo acusado de ladrão, uma pequena cidade que vai ter que ser deixada para trás, quando recebe uma carta do pai que nunca conheceu e já nem lembrava que existia. Através de cartas e fotos enviadas pelo pai (Eduardo Moreira), Daniel descobre que o mundo é bem maior do que aquele que até então conhecia. Maria Clara (Caroline Guedes elogiadíssima), a irmã pequena de Daniel, observa tudo o que acontece à sua volta e, com um olhar crítico, narra esta história. Uma história em que parece que tudo vai acabar: os ursos negros, o suco de laranja, as tribos poliândricas e a pacata vida em Pedra Grande.

No 2º Festival Paulínia de Cinema recebeu os prêmios de Melhor Filme de Ficção, prêmio da crítica, Direção (Ana Luíza Azevedo), Melhor Fotografia (Jacob Solitrenick), Melhor Direção de Arte (Fiapo Barth), Melhor Figurino (Rosângela Cortinhas) e Melhor Música (Leo Henkin). Na 3ª Mostra Internacional de Cinema de São Paulo recebeu o Prêmio Itamaraty de Melhor Longa de Ficção Brasileiro. Foi exibido na mostra Première Brasil – Hors Concours, no Festival do Rio 2009.

EMOÇÕES COM A ARGENTINA
Fora do futebol, felizmente, não existe rivalidade entre brasileiros e os hermanos argentinos. Na cultura há uma admiração mútua. Eu sou um admirador do cinema argentino. Produzem grandes obras como “O Segredo dos Seus Olhos”, de Juan José Campanella, merecidamente premiado com o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. Foi o segundo filme argentino a conquistar a estatueta, 25 anos depois do feito de “A História Oficial”, de Luis Puenzo.

“O Segredo dos Seus Olhos” é um filme surpreendente, emocionante e bate de frente contra a ditadura argentina. Campanella é um dos grandes realizadores latino-americanos e seu filme mescla romance, polícia, política e humor nas doses certas contando com um ótimo elenco. Com isto ele prende a atenção do espectador e até parece brincar quando se julga que se tenha chegado ao final do filme. Não, simplesmente é apenas uma introdução para um final surpreendente que coloca seu filme à altura de “O Silêncio dos Inocentes”.

Ricardo Darín é Benjamin Espósito. Aposentado do cargo de oficial de justiça de um tribunal penal, se dedica a escrever um livro. Usa sua experiência para contar uma história trágica, a qual foi testemunha em 1974. Na época o Departamento de Justiça onde trabalhava foi designado para investigar o estupro e consequente assassinato de uma bela jovem. É desta forma que Benjamin conhece Ricardo Morales (Pablo Rago), marido da falecida, a quem promete ajudar a encontrar o culpado. Para tanto ele conta com a ajuda de Pablo Sandoval (Guillermo Francella), seu grande amigo, e com Irene Menéndez Hastings (Soledad Villamil), sua chefe imediata, por quem nutre uma paixão secreta. O assassinato fica sem solução envolto em mistérios mesmo passados 25 anos depois.

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