A novela envolvendo o reajuste da passagem de ônibus urbanos em Santa Maria poderá chegar ao fim na manhã de hoje com pronunciamento, por parte da Prefeitura, sobre o aumento da tarifa. A tendência é que o prefeito Cezar Schirmer acate a decisão do Conselho Municipal de Transportes (CMT) que aprovou aumento dos atuais R$ 1,80 para R$ 2,00 em novembro do ano passado.
A decisão do Conselho estaria valendo, porque o veto do ex-prefeito, Valdeci Oliveira, ao reajuste teria sido apenas verbal e não oficializado em documento. Daí, a não necessidade da Prefeitura de pedir novo cálculo da planilha e nova votação.
Ontem, ninguém do governo municipal quis se manifestar sobre o assunto, aumentando a expectativa em relação à primeira reunião do CMT, marcada para as 8h15, e que terá a presença do prefeito.
A reportagem de A Razão e da Rádio Santamariense apurou que o decreto fixando a tarifa em R$ 2,00 já estaria pronto para ser apresentado hoje desde que os empresários do transporte coletivo cumpram exigências do Poder Executivo. Entre essas exigências estaria a implantação da passagem integrada até o início do ano que vem. Isso permitiria o uso de uma única passagem para o usuário se locomover na cidade.
Não há detalhes sobre como seria implantado o sistema, defendido por Schirmer na primeira entrevista coletiva como prefeito eleito, em outubro do ano passado, e que integra o plano de governo.
Também estariam entre essas exigências o mapeamento dos abrigos de ônibus e a retirada de todas as ações judiciais contra o Município. Em uma dessas ações, a Associação dos Transportadores de
Passageiros (ATU) cobra uma dívida referente à defasagem tarifária que custaria um prejuízo de cerca de R$ 20 mil por dia às empresas.
Conforme A Razão e Rádio Santameriense apuraram, o aumento estaria vinculado à aceitação dessas condições por parte das empresas. Embora sem confirmação, Schirmer teria um encontro na manhã de hoje com os empresários, antes da reunião do CMT.
Empresários – O presidente da ATU, Luiz Fernando Maffini, disse ontem à noite que ainda não havia recebido nenhum convite para participar de qualquer reunião com o prefeito. Sobre as supostas exigências que o Executivo faria aos empresários para decretar o reajuste, Maffini só demonstrou receio em relação à desistência de ações movidas contra o Município. Segundo o presidente da ATU, qualquer decisão nesse sentido passaria pela consulta a todas as empresas do sistema e ao advogado delas. Maffini, porém, não descartou negociações com o Executivo.
Os vários capítulos
- No final do primeiro semestre, a ATU pediu que a Prefeitura reajustasse o preço da passagem. O prefeito Valdeci Oliveira prometeu aos empresários que estudaria a solicitação depois das eleições
- Os empresários deram aumento salarial para os cerca de mil funcionários
- Em 13 de novembro, o Jornal A Razão noticiou com exclusividade que a Prefeitura tinha encaminhado ao Conselho Municipal dos Transportes planilha de custos apontando defasagem tarifária. Pelos cálculos do Executivo, a passagem deveria subir dos atuais R$ 1,80 para R$2,03, um reajuste de 12,78%. A ATU havia pedido reajuste maior – em torno de R$ 2,20 e R$ 2,30.
- No dia 17 de novembro, na reunião do CMT, houve protesto e a planilha não chegou a ser votada.
- Dois dias depois, por oito votos contra sete, o CMT aprovou proposta, aumentando a passagem para R$ 2,00.
- No dia 21 de novembro, Valdeci anunciou que a passagem seria mantida nos atuais R$ 1,80, causando protesto dos empresários. Na época, representantes do prefeito eleito Cezar Schirmer se irritaram pelo fato de Valdeci ter transferido decisão para o futuro governo
- No dia 10 de dezembro, o Tribunal de Justiça deferiu liminar suspendendo o Passe Livre a pedido da entidade que representa as empresas de ônibus
- Na sexta-feira, 19 de dezembro, o Tribunal de Justiça negou recurso da Prefeitura e manteve a suspensão do decreto que previa Passe Livre para o Natal
ATU cobra dívida
- Alegando prejuízo mensal de R$ 600 mil (R$ 20 mil diários) para as seis empresas concessionárias, a ATU anuncia que cobraria o Município judicialmente
- Também anunciou que pediria a responsabilização do prefeito Valdeci Oliveira por prejuízo ao sistema de transporte coletivo