
Cidade terá sistema moderno de bilhetagem eletrônica e passagem integrada nos próximos anos - Foto Eduardo Barreto / A Razão
Thais Miréa
A partir de 22 de março, no outro domingo, o usuário do transporte coletivo de Santa Maria passa a pagar R$ 2,00 pela passagem do ônibus e R$ 2,50 pela transporte seletivo, o Azulzinho. O prefeito Cezar Schirmer optou em acatar a decisão do Conselho Municipal de Trânsito e Transportes (Contran) e decretou, na última segunda-feira, o aumento da tarifa, atualmente em R$ 1,80 do ônibus e R$ 2,30 do seletivo. O anúncio foi feito, na manhã de ontem, durante reunião dos conselheiros na Casa de Cultura. Foi a primeira vez na história da cidade que um prefeito participou do encontro.
Para o reajuste de R$ 0,20, porém, Schirmer fez uma série de exigências para as empresas como pré-requisito para validar o decreto. Há uma semana, as seis concessionárias assinaram documento e assumiram compromisso de implantar a passagem integrada, reestudar as linhas e paradas, divulgar os horários dos ônibus e implantar veículos com equipamentos para pessoas com deficiência física. Dois novos pontos, porém, foram incluídos no decreto e levaram a Associação dos Transportadores Urbanos (ATU) a se reunir logo após o final da reunião do Contran.
Surpresa – As duas novas exigências de Schirmer são a retirada de todas as ações judiciais que tratam de tarifa do transporte coletivo existentes contra a prefeitura e as empresas apresentarem certidão negativa de débito com o Município até às 13h30 de amanhã. Segundo o presidente da ATU, Luis Fernando Maffini, os empresários resolveram aceitar as condições por necessidades financeiras.
“Tivemos de concordar. Estamos com dificuldades de receita e caixa. As ações podem levar até dez anos para termos uma decisão judicial e não podemos ficar todo esse tempo inviabilizados economicamente”, avaliou.
Com a renúncia das ações, a ATU abre mão da possibilidade de recuperar quase R$ 2,5 milhões, que as seis empresas alegam de prejuízo pelos quatro meses de defasagem da passagem, desde a aprovação do novo valor, em 19 de novembro. Até sexta-feira, a ATU também começa a organizar os demais pedidos de Cezar Schirmer. “Teremos de identificar todos os pontos nas linhas e paradas com problemas. Será um levantamento geral. Mas acho que será favorável para Santa Maria, pois temos muitos locais com abrigos precários”, afirmou Maffini.
Quanto aos ônibus com rampa para cadeiras de rodas, o presidente da ATU também ressalta a contribuição da nova legislação, que exige que todos os veículos novos adquiridos pelas empresas já contenham o equipamento. Atualmente são seis ônibus em circulação adaptados para pessoas com necessidades especiais. Maffini, porém, criticou a postura do governo de Valdeci Oliveira por ter gerado insegurança nas empresas. “Além de não respeitar a decisão do conselho sobre o valor sugerido pela própria prefeitura, gerou clima de extrema tensão entre funcionários e empresários do setor. É inédito, na história do RS, esse congelamento na passagem. Desculpe o termo, mas ele (Valdeci) cuspiu em cima do que fez”, afirmou durante a reunião do Contran.
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