Perdas podem superar 4 milhões de toneladas
A maior parte das perdas, aproximadamente 3 milhões de toneladas, ocorrerá no arroz. Foto Maiquel Rosauro /  A Razão

A maior parte das perdas, aproximadamente 3 milhões de toneladas, ocorrerá no arroz. Foto Maiquel Rosauro / A Razão

A Farsul estima uma perda de cerca de 4,1 milhões de toneladas de grãos na safra 2009/2010, na comparação com a anterior, em função dos temporais que assolam o Estado. O cálculo foi feito com base na redução de área até agora causada pela chuva. O prejuízo financeiro a preços atuais, incluindo também atividades como a pecuária leiteira, é calculado entre R$ 2 bilhões e R$ 2,5 bilhões. A informação foi apresentada em entrevista coletiva do presidente da Federação, Carlos Sperotto, quarta-feira, na qual fez um balanço do ano que se encerra e projetou cenários para o próximo.
Na safra 2008/2009, a colheita de grãos gaúcha ficou em 22,6 milhões de toneladas. A previsão para o período seguinte é de 18,5 milhões de toneladas. De acordo com Sperotto, a maior parte das perdas, aproximadamente 3 milhões de toneladas, ocorrerá no arroz. “A lavoura arrozeira encontra-se com dificuldade de conclusão. Apenas 732 mil hectares foram plantados e parte ficou alagada. Independente de prazo oficial para plantio ter sido ampliado para o dia 20 de dezembro, as águas não estão baixando”, afirmou o presidente da Farsul. Com a chuva, faltam áreas aptas ao plantio do grão. Tradicionalmente, a área plantada supera 1 milhão de hectares. Também há dificuldade de plantio na soja, além de prejuízos para a colheita das culturas de trigo, azevém e aveia e prejuízos na pecuária.

Carne – Para Sperotto, a pecuária gaúcha ainda sofre com as limitações de exportação de carnes à União Européia. Enquanto em 2006 o Estado atingiu cerca de 240 mil toneladas em embarques, neste ano esse número está em torno de 60 mil. Atualmente, apenas 1,7 mil propriedades brasileiras estão habilitadas para produzir animais destinados à produção de carnes para os europeus. “Seriam necessárias 20 mil propriedades habilitadas para exportação. Hoje, temos menos de 10% disso”, afirma Sperotto.

Além disso, Sperotto negou que a exportação de gado em pé esteja trazendo prejuízos à economia do Estado. O volume de animais embarcados até agora no ano está em torno de 20 mil cabeças, enquanto frigoríficos e pecuaristas de leite importaram 64 mil bovinos do Uruguai. “E o animal que entra do Uruguai normalmente é de maior qualidade do que o que sai do Estado”, informou.

Legislação ambiental – O presidente da Farsul aposta em um adiamento do prazo para averbação da área de Reserva Legal nas propriedades rurais, que se encerra dia 11 de dezembro, segundo definido em decreto. Sperotto salientou que a grande maioria dos produtores, especialmente os menores, não conseguiu se adequar. A solução do impasse poderia vir por medidas do executivo, já que não deve haver tempo hábil para definição de novas leis nos parlamentos federal e estadual. Sperotto ainda lembrou que o Brasil está em situação privilegiada em termos de manutenção de áreas verdes com relação a outros países. “A Europa tem só 0,3% de suas reservas florestais, enquanto o Brasil tem de 48% a 52%”.

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