Depois de 20 anos, o Ensino Médio chega à Zona Norte

Há quase 20 anos a comunidade do Bairro Salgado Filho se mobilizou e fez um abaixo-assinado com quatro mil assinaturas em prol de Ensino Médio na região. Porém só há cerca de seis anos, quando foi criada a comissão de moradores que correria atrás do objetivo, é que o sonho de estudar perto de casa foi tomando forma, através da luta de conselhos, comunidade e dos diretores e professores da Escola Estadual de Ensino Fundamental (e agora Médio também) Dom Antônio Reis.

Na quarta-feira passada, o sonho se tornou realidade: Conselho Estadual de Educação, depois de assembléia em Porto Alegre, autorizou a criação do Ensino Médio na escola. “Estamos muito realizados, pois estamos trabalhando com a comunidade em busca disso há tempos. Já temos uma lista de 200 alunos que estão esperando para iniciar o Ensino Médio”, comenta a diretora da escola Maria Eneida Alves Santos.

Custo – De acordo com a diretora, essa será a única escola de Ensino Médio no centro da Zona Norte. Com ela, muitos alunos não precisarão se deslocar até o centro para estudar ou ir até a escola Érico Veríssimo, que é a mais próxima na região. “Tenho um casal de filhos e pesou no bolso ter apenas um deles indo para o Centro estudar. Além do gasto extra, havia a preocupação com a segurança – pois o curso era à noite. Minha filha Angélica Chaves, 18 anos, estudou no Cícero Barreto e eu tinha que ir buscá-la as pé, à noite, pois não havia ônibus para ela voltar”, conta Elton Chaves, um dos integrantes da Comissão em prol do Ensino Médio na escola. Agora, o filho mais novo dele Guilherme Chaves, 13, que completa a 8ª série este ano, vai cursar o 1° ano na Dom Antônio Reis

Sonhando com o Ensino Superior – Um dos que está muito contente e já sonha com o passo seguinte ao Médio é Carlos André Teixeira de Oliveira, 35, que há seis anos espera o Ensino Médio na escola. “Para mim fica muito ruim estudar no Centro, porque trabalho durante o dia e só me sobra a noite. Ia ficar muito corrido chegar do trabalho, comer algo e ainda pegar ônibus até a outra escola. Como tenho uma empresa – que ganhou a licitação para reformar a Dom Antônio Reis – me faz muita falta ter estudo. Já estou sonhando com uma faculdade”, diz Carlos André, que mora a poucas quadras da escola.

Locomoção – Formado no Fundamental desde 2006, Glauber Batista dos Santos, 18, tem distrofia espinhal progressiva e anda em uma cadeira de rodas. Para ele, ir até o Centro estudar seria caro e trabalhoso. “Precisaria pagar uma van especial ou um táxi para chegar e voltar de qualquer outra escola, além do mais já estou aqui desde a pré-escola – todo mundo me conhece e sabe das minhas necessidades”, conta o menino que mora próximo ao colégio. “Estou muito feliz que vou voltar a estudar não só pela minha espera, mais por todos os outros que esperaram”, diz o estudante

Aulas devem começar após o meio de março

Hoje, a professora corre com os preparativos para até, no máximo, fim de março, estar apta a receber os alunos. Para as três turmas de 1° ano – uma em cada turno –, a escola Dom Antônio Reis precisa ainda fazer alguns ajustes. Arrumar laboratórios, banheiros e buscar livros de 1° ano para preencher a biblioteca são apenas algumas das novidades que vão ter que fazer parte da escola no prazo de 10 dias, que ainda pode ser estendido por mais 10. “Não começaremos no dia 2 de março como as outras escolas, talvez mais pro final do mês. Estamos correndo atrás de qualquer ajuda de empresários locais e também doação de livros. Só a reforma do laboratório de ciências custará R$12 mil. Estamos negociando com a 8ª Coordenadoria Regional de Educação (8ªCRE) mais tempo e dinheiro para as adequações”, afirmou a diretora Maria Eneida. Segundo ela, em caixa, a escola tem R$2 mil. Em janeiro do ano passado o Estado havia liberado R$ 69 mil para reformas na escola Dom Antônio Reis.

Compartilhe nas redes sociais!
    Tags:
    Poderá gostar também de:

    Dados desta matéria