Lizie Antonello
Os pais de 70 alunos de duas turmas de 4ª série e uma da 3ª do Ensino Fundamental (EF) da Escola Estadual Professora Margarida Lopes tiveram uma surpresa na noite da última quarta-feira. A direção da instituição chamou as famílias à sede da escola, que fica no bairro Camobi, região Leste de Santa Maria, para comunicar que os estudantes trocarão de turno a partir da próxima terça-feira, dia 8. Ou seja, as crianças passarão a frequentar a escola pela manhã e não mais à tarde como o habitual.
O remanejo teria sido motivado pela falta de professores. Duas educadoras que ministravam as aulas estão deixando a instituição por aposentadoria.
A medida desagradou alguns pais. “Foi uma decisão arbitrária que retirou totalmente a oferta para quarta série no turno da tarde quase no final do ano letivo”, avalia Luis Eduardo de Souza Robaina, 47, pai de uma estudante. A filha do geólogo, Natália, de 10 anos, assim como a maioria das demais crianças, sempre é acompanhada por um familiar até a escola.
Para Robaina faltou planejamento. “As professoras entraram com pedido de aposentadoria no final do ano passado. Durante todo esse tempo (mais de oito meses) a Coordenadoria não tomou nenhuma providência a fim de evitar este grave problema que vem atingir dezenas de pessoas entre elas professores, pais e alunos”, considera o geólogo.
O pai, que também é professor (na Universidade Federal de Santa Maria – UFSM), protocolou um documento de ‘inconformidade’ nos setores jurídico e pedagógico da 8ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE) na manhã de quinta-feira. Na tarde de sexta – último dia em que as crianças entraram em aula à tarde – Robaina foi à escola colher assinaturas dos pais que estivessem levando seus filhos à instituição. A ideia é adicionar um abaixo-assinado contra a medida junto ao documento anterior, protocolado na CRE.
“Isso vai gerar um problema para os pais porque temos uma vida toda organizada para aquele período em que os filhos estão na escola”, desabafa Robaina.
Déficit - A CRE confirmou a saída das professoras do Margarida Lopes. O setor Recursos Humanos (RH) da Coordenadoria, teria buscado docentes em outras escolas da rede mas como a maioria das instituições estaduais tem todas as turmas de séries iniciais nesse turno não foram encontrados professores disponíveis.
Conforme a responsável pelas escolas de Santa Maria do setor de RH da CRE, Sandra Salbego, não havia na escola professores disponíveis para assumirem as turmas no turno da tarde, apenas pela manhã. A Coordenadoria, então, sugeriu que a escola fizesse o remanejo para que os alunos não ficassem sem aulas até que um outro professor fosse contratado.
A CRE não descarta a possibilidade de conseguir um professor para escola mas admite que o trâmite burocrático é demorado.
A direção da escola garante que a maioria dos pais presentes na reunião teria entendido a situação vivida pelo colégio. “Entre os alunos ficarem sem aula e trocarem de turno, nosso entendimento e o deles (pais) é de que a troca é melhor”, constata Rosane Inês Hamester Hunhoff, vice diretora do turno da tarde do Margarida Lopes.
327 pediram aposentadoria
De acordo com o setor de Recursos Humanos (RH) da 8ª CRE, a Coordenadoria enfrenta problemas para suprir a necessidade de professores de séries iniciais da rede estadual diante do elevado número de pedidos de aposentadorias.
De março deste ano até o momento foram 327 encaminhamentos, nos 23 municípios de abrangência da 8ª CRE. Destes, 135 foram efetivados. Segundo a responsável pelas escolas de Santa Maria do setor de RH da CRE, Sandra Salbego, a Secretaria de Educação do Estado teria liberado a contratação temporária de profissionais. Porém, a convocação deve obedecer ordem de classificação no banco de concursados e muitos dos inscritos estariam com dados desatualizados, o que emperra o processo.
A orientação da CRE é para que as escolas não concentrem as turmas de séries iniciais num mesmo turno para que esse tipo de problema não aconteça.