Embora não admita com todas as letras, o espírito municipalista do prefeito Cezar Schirmer (PMDB) em relação aos serviços prestados pela Companhia Riograndense de Saneamernto (Corsan) está cada vez mais incorporado no gabinete que fica no 7º andar do Centro Administrativo Municipal. Ontem, em entrevista para a Rádio Santamariense, Schirmer foi enfático. “Não adianta vir com ti ti ti daqui nem ti ti ti dali. Minha paciência já esgotou. A Prefeitura e a população são testemunhas da qualidade dos serviços prestados na cidade”, disparou o prefeito.
Schirmer esteve na última sexta-feira, no Ministério Público (MP), em audiência com o promotor João Marcos Adede y Castro. A Promotoria Pública moveu ação contra a Corsan por não seguir cronograma de implantação de redes de esgoto na cidade, e contra a Prefeitura por supostamente não fiscalizar e autuar a estatal em relação a cláusulas que não estariam sendo cumpridas (das 22, 14 não estariam sendo cumpridas). Acompanhado da procuradora Geral do Município, Anny Desconzy, Schirmer se defendeu. Reforçou o rol de insatisfações em relação à Corsan, disse que a Prefeitura fiscaliza e autua a companhia, mas que de nada adianta.
Adede disse ter ficado surpreso com a postura do prefeito e citou que o município passou a ter, a partir daquele momento, um novo papel na ação movida pelo MP. De acusado, figura, agora, como uma espécie de assistente de acusação.
Trocando por miúdos, a Corsan terá que se explicar para a Justiça Estadual e ao Município por que Camobi não possui cobertura de esgoto cloacal e por que a cidade que dá um dos maiores lucros à estatal não executa os serviços a contento da municipalidade. “Historicamente a Corsan nunca cumpriu com as suas obrigações em Santa Maria”, afirmou o promotor Adede y Castro.
Diálogo com a direção da Corsan não faltou. Foi assim no último ano e mais recentemente, há duas semanas, com o presidente da Corsan, Luiz Zafalon. Mais uma vez, Schirmer listou sua insatisfação para com os serviços da companhia. Zafalon acenou com a possibilidade da desregionalização do escritório de Santa Maria e da criação de um Fundo de Gestão Compartilhada, que reservaria recursos da conta de água para serem investidos na melhoria dos serviços e na expansão da rede. O presidente da Corsan disse que essa poderia ser uma alternativa, por exemplo, para resolver o problema do esgoto em Camobi. “Esta é uma dívida histórica da companhia com a cidade e queremos resgatá-la. Vamos encaminhar a proposta para que a Prefeitura analise”, disse Zafalon.
“É a situação de Camobi, do esgoto a céu aberto, dos buracos, da dificuldade de se consultar custos de tarifas, enfim… É um absurdo o tratamento dado para uma cidade em que a Corsan fatura R$ 5 milhões e tem lucro de R$ 4 milhões. Foi-se o tempo da companhia materializar as suas boas intenções e projetos para com a nossa cidade. Precisamos agir e até a próxima semana deveremos ter novidades”, sentenciou Schirmer. Ele citou o exemplo de Porto Alegre que municipalizou os serviços de água e saneamento.