“Isso serve para recarregar nossas forças”

Apesar de maior aceitação no âmbito cultural, como é o caso da grande participação nas Paradas Gays, homoafetivos apontam que ainda há entraves judiciais e preconceitos a serem vencidos

A aprovação da lei que autoriza o matrimônio entre pessoas do mesmo sexo pelo Senado argentino no último dia 15 de julho tornou o país dos hermanos pioneiro na América Latina (e décimo no mundo) a aceitar casamento homossexual. A medida que foi sugerida pela presidente Cristina Kirchner pode abrir precedente para que no Brasil também possa ser aceito esse tipo de união.

No país, por lei, casais homoafetivos podem fazer contratos de união estável, mas o casamento ainda não é autorizado. Apesar do exemplo argentino, parece que por aqui ainda vai demorar para acontecer. “Isso serve para recuperar nossas forças, mas ainda há muito preconceito no Brasil e os casais ainda sofrem muito inclusive juridicamente”, afirma um dos primeiros casais homossexuais a firmar contrato de união estável no Rio Grande do Sul, Vilnes Gonçalves Flores Júnior, 40 anos, mais conhecido como Ney de Ogum, e Ricardo Pereira de Souza, 32. O contrato e a festa de casamento aconteceram em 2004.

Os dois contam que até hoje são discriminados e ainda há preconceito nas comunidades onde chegam. Segundo eles, na questão cultural se evoluiu bastante, já nas questões políticas ainda há muito por fazer.

“Temos que ter o dobro de simpatia para sermos aceitos e ainda há quem olhe com estranheza. O nosso grande problema agora é a questão jurídica e social, pois temos o contrato de união estável, mas ele não é reconhecido em programas do governo, por exemplo. Para conseguirmos nos inscrever no Minha Casa, Minha Vida, tivemos de convencer todos e ainda ameaçar ir à imprensa, pois não queriam dar a casa para um casal homoafetivo. Não temos direitos assegurados. É grande a nossa preocupação para que isso mude”, comentam Ney e Ricardo que estão juntos há 17 anos e que nos primeiros anos do relacionamento tiveram até de ficar na clandestinidade e eram perseguidos.
De mesma opinião é Marquita Quevedo, integrante da Organização Não-Governamental Igualdade. “É um reconhecimento à nossa cidadania, pois contribuímos economicamente com o país e pela constituição somos todos iguais, mas não é o que acontece na prática. No Brasil, essa questão ainda precisa evoluir muito. Já podemos fazer o contrato de união estável, mas quando chega a hora de fazer um financiamento, por exemplo, não adianta. Aqui não avançou em nada”, avalia Marquita.

Há 31 anos com o companheiro João Gerônimo, Carlos Alberto Cunha Flores, mais conhecido com Kalu, acredita que no Brasil ainda há muita resistência ao homossexualismo. “Não me considero uma pessoa politizada, mas acho que hoje os conservadores estão no poder. Nas bancadas só estão representados setores conservadores, assim como em grande parte da sociedade, pois ainda há muita discriminação e preconceito. Para quem é homoafetivo ainda é difícil a expressão, mas acredito que esta situação está mudando. Temos tido alguns avanços, mais visibilidade, mas  ainda há questões para lutar, como a questão da adoção”, afirma Kalú.

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    • jk

      A questão homossexual no Brasil ainda é muito discriminada, ainda há muito à fazer pelos homossexuais, que são “pessoas normais”, como qualquer outra. A Argentina está de parabéns, pois vê- se que ñ é um país com governantes conservadores.

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