Lizie Antonello
A apreensão que a família Bianchin vivia há anos chegou ao final na manhã de ontem. Um enxame com mais de mil abelhas africanas foi retirado do telhado da casa onde Ivomar Bianchin, 48, mora com a esposa, Marli Medianeira e a filha mais nova, Ivana Carla, 9, na Vila Urlândia, região Sul de Santa Maria.
A ação durou quase três horas e teve apoio do Corpo de Bombeiros que isolou a área e controlou o trânsito de veículos e pedestres no entorno da casa, que fica na Rua Irmão Robertão.
Segundo o apicultor que coordenou o trabalho, Pedro Elemar Miola, a operação é minuciosa, exige cuidado e paciência, mas é considerada simples. “Capturamos a abelha Rainha, que tem o dobro do tamanho das outras, e colocamos em uma caixa, todas as demais entram por conta”, explica Miola.
O dono da residência, protegido por roupas especiais, ajudou no processo. Cerca de 30 quilos de mel foram retirados, além de cera e própolis. O local foi limpo e dedetizado para evitar que um novo enxame se instale.
Bianchin conta que só percebeu a colméia depois de quase um ano que morava na casa. Ele foi cortar o galho de uma árvore e descobriu que ela encobria a movimentação das abelhas, instaladas sob uma das telhas da residência.
As ‘hóspedes’, que, até então, não haviam demonstrado agressividade, passaram a atacar crianças da Escola Municipal Reverendo Alfredo Winderlich que transitam pela calçada. Ivana também chegou a ser picada. “As crianças puxavam os galhos para colher frutas e as abelhas atacavam”, relata Bianchin. Depois disso, o motorista procurou ajuda dos Bombeiros que indicaram o apicultor para retirar a colméia do local.
Segundo Bianchin, os muitos pedidos acumulados fizeram com que o ‘socorro’ demorasse em torno de um ano. Há três meses, Miola, foi verificar a situação. Ontem, ele voltou para atender ao chamado da família Bianchin. Os insetos foram levados para chácara próximo a BR 158, onde o apicultor cria abelhas desde 2003.
O trabalho que não custou nada a Bianchin pode variar de R$ 50 a R$ 400, dependendo do local, risco e tamanho do enxame.
Experiência – Ivomar, que nunca tinha sido ferroado, levou três picadas na mão ao auxiliar o apicultor. Mesmo assim, ele gostou da experiência. “Interessante trabalhar com abelhas. Me ofereci para ajudar o Pedro quando ele precisar”, conta o motorista.
A partir de agora, ele vai poder receber Marliane – filha mais velha, grávida de três meses – com mais tranquilidade. “Ela sempre me pedia para retirar a colméia. Atendemos o pedido e ela vai poder vir sem medo na casa do pai”, afirma. “Vou guardar mel para o meu neto que está a caminho”, completa.
Cuidado – Conforme Miola, a espécie encontrada na casa de Bianchin é de abelhas africanas, existentes no Brasil desde 1935. Elas estão adaptadas ao clima e são consideradas domesticadas. Mas um ataque pode ser muito perigoso. “Elas atacam apenas quando são encomodadas, com barulho ou mexendo na colméia, mas todo cuidado é pouco”, alerta o apicultor.
A presença das abelhas na área urbana se deve a migração dos enxames, que partem de um lugar para outro em busca de alimento.