
Entre as carnes para churrasco, as preferidas são a de gado e a de ovelha, se houver alguma gordura melhor ainda. Foto Germano Rorato/A Razão
Se cada estado da federação tem uma comida característica, o churrasco – prato típico do povo gaúcho – há muito ultrapassou todas as fronteiras do Rio Grande do Sul. Com suas variáveis, está presente em restaurantes de todo o Brasil e também em estabelecimentos de outros países.
Mas é aqui no Estado onde ele ainda é preparado da maneira mais próxima a forma como era feito pelos vaqueiros nos pampas rio-grandenses, argentinos e uruguaios: em fogo de lenha ou brasa, a carne bovina e de ovelha é assada em espetos, temperada apenas com sal grosso. Para o coordenador da 13ª Região Tradicionalista (RT), Erival Bertolini, esse é o verdadeiro churrasco do gaúcho.
E ele dá as dicas:
- Qualquer parte do gado serve, mas as melhores partes são a costela e as que possuam alguma camada de gordura – ela deixa a carne mais suculenta;
- O ideal é deixar o carvão em brasa, mas, se for utilizada lenha, a carne deve ficar distante das labaredas (chamas);
- O sal deve ser ‘atirado’ e não esfregado;
- Para ficar mais saborosa, a carne tem que ser virada constantemente;
- O tempo no fogo depende da espessura da carne e da intensidade das labaredas – pode variar de 30 minutos a 1h30, aproximadamente;
- Depois de assada, basta bater a carne para retirar o excesso de sal e servir.
Arroz de Carreteiro
Para a maioria dos gaúchos, o Arroz de Carreteiro é tão típico quanto o Churrasco. Como o próprio nome sugere o prato surgiu quando os carreteiros – vendedores ambulantes que transportavam suas mercadorias em carretas puxadas a boi – em suas viagens pelo Rio Grande usavam o charque (carne salgada) para, junto com arroz, preparar sua comida.
Os peões que levavam as tropas de gado de um lugar para outro no Estado também utilizavam o charque em suas andanças, como alimento não perecível.
O charque foi um dos propulsores da economia gaúcha do fim do século 19, da região sul do Rio Grande. O gado vinha do interior para as charqueadas que ficavam à beira do arroio Pelotas, onde eram abatidos e salgados, para então serem transportados em navios que saiam do porto de Rio Grande, para o norte do país e Europa.