
Primeira etapa da obra começou na tarde de ontem em estrada que liga Santa Flora a BR 392. Foto Lizie Antonello / A Razão
Lizie Antonello
As obras de recuperação das estradas do interior de Santa Maria (SM) começaram na tarde de ontem, na Estrada Januário Chagas Franco, que liga o distrito de Santa Flora, desde a BR 392, até a localidade de Pavão, em São Gabriel.
O primeiro trecho a receber as melhorias são os 18 quilômetros (km) entre a sede e a rodovia. Percurso que normalmente um caminhão faria em 25 minutos hoje levam 45 minutos, com velocidade média de 25km/h, em função dos buracos.
De acordo com o secretário de Obras, Haroldo Pouey, que vai coordenar a ação, a previsão é de que o trabalho nesse trecho seja concluído até quinta-feira, se não chover. “Com duas patrolas trabalhando, devem ser recuperados 12 km por dia”, afirma. Paralelamente, uma retroescavadeira abre valetas e desentope bueiros.
Outras 21 estradas serão recuperadas nos nove distritos do município (veja lista).
O anúncio feito pelo prefeito Cezar Schirmer reuniu, em frente a subprefeitura do distrito, além do titular de Obras, os secretários de Agricultura, Rodrigo Menna Barreto, Transporte, Sérgio Medeiros, Finanças, Antônio Carlos Lemos, e Cultura, João Luiz de Oliveira Roth. Além disso, nove dos 14 vereadores estavam presentes na solenidade, que marcou o início das obras e cerca de 35 produtores rurais.
Segundo Schirmer, a operação será realizada de forma diferenciada, porque as máquinas permanecerão no local em que as ações estiverem sendo feitas até a conclusão do trabalho. A medida vai reduzir os custos da obra, que conforme Pouey devem ser metade do valor que seria gasto se o trabalho fosse terceirizado. “Não tenho dúvidas que será mais barato”.
Economia – Além de economizar com combustível, a secretaria também fechou parcerias para conseguir a madeira que será usada no conserto de 12 pontes. Os eucaliptos serão doados pela Base Aérea de Santa Maria e cortados na Fepagro. As pedras virão de doações de produtores rurais locais e de São Gabriel. As primeiras dez cargas que deram início ao trabalho são sobras de uma ação da prefeitura em Boca do Monte. A alimentação dos funcionários será oferecida pelos moradores.
Ação aguardada pelos produtores
Na solenidade de começo das obras, Amauri Antônio, 79 anos, foi o porta-voz dos produtores presentes. Ele falou das dificuldades enfrentadas pelos agricultores e agropecuaristas da região ao fazer o transporte das produções. “Quem sofre não esquece. Queremos condições para sair das localidades e chegar no asfalto (BR 392). Tendo estrada, o resto nós fizemos”, comenta.
Para o empresário Gilberto Marzari, 50 anos, a recuperação “é um paliativo necessário”. “O ideal é que esta estrada e a de Banhados fossem asfaltadas”, afirma. As duas vias são as principais rotas de escoamento das safras de arroz e soja – culturas predominantes no distrito.
A insatisfação do dirigente da Marzari, indústria de beneficiamento de arroz, é justificável. A empresa, em funcionamento há 53 anos, é uma das duas maiores em arrecadação de Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) no município.
Segundo Marzari, boas condições nas estradas é fator determinante para duplicar a produção, que em 2008 foi de um milhão de fardos. “Não temos sido valorizados pelo retorno que a empresa dá para a cidade”, considera.
O problema afeta todo o ciclo da produção. Começa no transporte da safra da lavoura para os depósitos e indústria. Diego Godoy, 28 anos, fornece 60 mil sacos de arroz por safra a Marzari. A plantação fica na localidade de Pavão, a 80 km de São Gabriel e a 30 km de Santa Flora. “Levo o mesmo tempo para percorrer os dois trajetos, porque aqui (SM) as estradas estão péssimas e lá (São Gabriel), estão boas”, comenta o produtor.
Outro agricultor que sofre com as condições das estradas do distrito é João Naidon, 64 anos. A cada safra, ele transporta cerca de 120 mil sacos de arroz, da propriedade em Cerrito, São Gabriel, até o depósito que fica em Colônia Grapia (SM). Segundo ele, são 57 km de dor de cabeça. “Levo 1h20 para chegar”, reclama. Naidon lembra que os produtores ainda têm que arcar com os prejuízos causados pelos buracos nos veículos. Da sua propriedade deve sair parte da pedra que será usada na obra.