
Dependentes de crack e outras drogas contam com apoio dos Centros de Atendimento Psicossocial (CAPS). Foto Osvaldo Melo/A Razão
Santa Maria poderá ganhar pelo menos mais 10 leitos de tratamento de dependentes em crack desde que os governos estadual e municipal se responsabilizem pela criação e manutenção do tratamento no âmbito hospitalar. Os novos leitos seriam abertos na Casa de Saúde, instituição administrada pelo Hospital de Caridade Dr. Astrogildo de Azevedo. O anúncio da possibilidade de criação imediata desses leitos foi feito pelo diretor técnico do HC, João Flávio Bissacotti, em reunião realizada segunda-feira, no Ministério Público.
Segundo Bissacotti, o projeto só será viável se a Prefeitura assinatar a contratualização com o HC por meio de um convênio.
Os novos leitos seriam destinados para adultos (maiores de 17 anos) e mulheres. Atualmente, a Casa de Saúde dispõe de 15 leitos, mas todos reservados para adolescentes do sexo masculino (até 17 anos), conforme a promotora Ivanise Jann de Jesus, que promoveu a reunião. O encontro teve ainda a presença da coordenadora regional de Saúde, Claudete Lopes.
Ficou acertado que até 3 de agosto o Caridade informará o Ministério Público sobre a disponibilidade criação dos leitos. Isso será definido após avaliação de eventuais entraves burocráticos envolvendo a administração da Casa de Saúde. Se depender da 4ª Coordenadoria Regional de Saúde, a participação do governo do Estado está garantida. Segundo a coordenadora Claude Lopes, o governo tem interesse em criar leitos para adultos, pois Santa Maria é uma das cidades com maior deficiência de vagas para dependentes químicos.
A promotora Ivanise de Jesus disse ontem ao Jornal A Razão que o Ministério Público poderá mover uma ação obrigando Estado e Município a abrirem novos leitos. Em setembro do ano passado, graças a uma ação movida por Ivanise, da Promotoria da Infância e Juventude, foram abertos seis leitos na Casa de Saúde, número posteriormente ampliado para 15. Como a ação foi movida pela Promotoria da Infância e Juventude os leitos se destinam apenas a menores de 18 anos. A Justiça decidiu bloquear recursos do governo do Estado e da Prefeitura de Santa Maria para manter o serviço de atendimento. Desta vez, Ivanise atuou como substituta da Promotoria de Defesa Comunitária.