Problema de “gente grande” no Cipriano
Telhado se expandiu e causou o destelhamento da casa que também sofre com fissuras na parede - Foto Eduardo Barreto / A Razão

Telhado se expandiu e causou o destelhamento da casa que também sofre com fissuras na parede - Foto Eduardo Barreto / A Razão

Lizie Antonello
Maiquel Rosauro

Dificuldades não faltam para os moradores do Loteamento Cipriano da Rocha, na região oeste de Santa Maria. As casas foram entregues há apenas cinco meses, mas as cerca de 112 famílias que foram assentadas no local não contam com nenhum programa social e já convivem com diversos problemas de infraestrutura, como fissuras nas paredes de algumas residências e alagamentos nos pátios. Além disso, montes de sobras de terra das construções estão se transformando em matagais no local.

A situação já traz problemas até para aqueles que costumam ficar alheios aos problemas de “gente grande”. Ontem à tarde, o pequeno Lucas Silva, 6 anos, teve que passar o dia dentro de casa, pois estava impossibilitado de sair para brincar no pátio. “Está cheio d’água e tem barro. Mas antes estava pior”, relata o menino.

Conforme o pai de Lucas, o auxiliar de produção Joceli Silva, quando chove a altura do volume d’água chega a um palmo nos fundos de sua residência. Já a poucos metros dali outro problema. Um grande monte de terra começa a criar vegetação.

Segundo o presidente da associação do loteamento, Jonis Lemos, a comunidade não tem dinheiro para retirar a terra. “Só encontramos quem quisesse nos explorar. Cobram de R$ 80 a R$ 90 por hora para tirar a terra daqui e depois vender”, explica Lemos.

O presidente do Conselho Municipal de Habitação, Paulo Freitas, relata que além da questão da infraestrutra, os moradores sofrem com a falta de projetos sociais. “Não sabemos porque os projetos pararam. Eu acredito que eles não querem continuar por uma questão política, pois assim vão dar muita ênfase ao trabalho iniciado no governo anterior”, acredita Freitas.

Monitoramento – Segundo Nabor Silva Ribeiro, coordenador do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Santa Maria, das cerca de 130 casas do loteamento (aproximadamente 112 prontas e 18 em construção), cinco ou seis teriam apresentado algum tipo de problema, como fissuras nas paredes. Uma equipe da coordenação e um engenheiro da BK Construções, empresa responsável pela obra, esteve no local na manhã da última terça-feira, vistoriando as casas.

“Estamos monitorando essas residências há mais de um mês”, diz o arquiteto. O trabalho de ‘acompanhamento’ deve continuar por mais algum tempo, para verificar se os problemas vão progredir ou estabilizar.

Em uma das casas foi detectada situação mais crítica. O movimento de expansão e retração do madeiramento do telhado teria forçado as paredes de alvenaria, que trincaram. Ontem à tarde, pedreiros consertavam o telhado. De acordo com Ribeiro, a empresa também vai reforçar as paredes, rebocar e pintar a casa novamente.

Conforme Ribeiro, o caso é pontual e não compromete o projeto, que prevê a construção de 547 casas no loteamento. Uma primeira vistoria feita em janeiro não teria detectado nenhum problema. “Aquelas casas foram muito bem feitas”, avalia.

Mas avaliação final mesmo só depois do projeto concluído.

Sobre o depósito de terra existente no fundo da área, o coordenador do PAC diz ser resíduo deixado no local desde a época em que a obra iniciou em julho de 2008. O material será retirado a partir da próxima semana quando começa a etapa de aterramento de novos lotes.

Prefeitura vai cadastrar moradores
Os problemas nas construções talvez sejam os mais evidentes aos olhos mas, sem dúvida, não são os mais sérios. Para que algum projeto social seja desenvolvido com as famílias do loteamento, elas precisam estar cadastradas no Ministério da Assitência Social. “É um cadastro único que possibilita as ações e a emissão dos contratos”, explica Ribeiro.

O cadastramento será feito pela prefeitura, mas não há data definida para realização. A equipe deve seguir a lista dos contemplados, mas vai retirar os nomes que apareciam repetidos e encaixar as famílias nas exigências do Ministério.

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