Independente do que cada um pense do Bolsa Família, a verdade é que o benefício do governo federal se faz presente na vida de milhões de brasileiros. O que não é nada bom, pois demonstra que o Brasil ainda é um país desigual. O que levou o economista brasileiro Edmar Bacha a definir o país através da expressão Belíndia – devido à má distribuição de renda do país contrastar com a riqueza da Bélgica e a pobreza extrema da Índia. Aqui em Santa Maria, o prefeito Cezar Schirmer por várias vezes, pronunciou-se ao dizer que o elevado número de santa-marienses contemplados pela ajuda da União serve como termômetro de pobreza. Contestado desde a sua criação, ainda sem o nome de Bolsa Família, mas criado durante a gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o governo Lula conseguiu dois feitos notórios – unificar em um único cartão os benefícios anteriores (Bolsa Escola; Alimentação; Cartão Alimentação e Auxílio Gás), e dar maior visibilidade ao programa. O Bolsa Família tem o propósito de minimizar as discrepâncias sociais e promover ascensão àqueles brasileiros em situação de pobreza – com renda de R$ 70,00 a R$ 140,00 por pessoa –, e em extrema pobreza com rendimento de até R$ 70,00 por pessoa.
A secretaria de Assistência Social junto com o Escritório da Cidade finalizaram nesta semana o primeiro levantamento, de uma série, sobre a abrangênciado programa e quem hoje são os contemplados pelo benefício. Este mapeamento ainda conta com a contratação da Maciel Auditores e Consultores, empresa de Porto Alegre, que presta serviços técnicos em estatística e perícia para a Prefeitura. Alguns dados chamam atenção para a situação do Bolsa Família na cidade. O programa é hoje uma realidade na vida de mais 10 mil residências em Santa Maria, o que dá uma média de 45 mil pessoas beneficiadas. O que representa mensalmente na economia do município mais de R$ 1 milhão através dos benefícios de R$ 22,00 a R$ 200,00.
De acordo com o gestor do programa em Santa Maria, Marcos Rizzatti, o “diagnóstico” do Bolsa Família aponta aproximadamente 96% dos contemplados situados na zona urbana, pouco mais de 4% estão nos distritos do município. Estão cadastradas 63.877 em mais de 18 mil domicílios, deste total, o gestor atenta que apenas estão aptas a receber a ajuda da União 13.595 residências. Porém recebendo de fato o benefício da União em Santa Maria estão 10.632 lares. A diferença nos números é explicada por Rizzatti que destaca que aquele que pretende ser contemplado pelo benefício deve estar cadastrado junto ao Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico). “O cadastramento não implica a entrada imediata no programa e o consequente recebimento do benefício”.
O mapeamento ainda revela que há 13.929 jovens entre os 6 e os 18 anos cadastrados recebendo o benefício. O gestor do Bolsa Família destaca que aquela família que entra para o programa se compromete a cumprir duas condições nas áreas da educação e saúde. Na primeira, os pais devem se comprometer em manter crianças e adolescentes em idade escolar dentro da sala de aula. Na saúde é preciso levar as crianças de zero a sete anos para vacinação além de realizar a pesagem e medir as crianças.