
Árvore destruiu abrigo de ônibus e amassou teto e lateral do carro de Engel. Foto Germano Rorato / A Razão
Lizie Antonello e Luisa Kanaan
Depois de uma sequencia de dias frios, típicos de inverno, com temperaturas entre 2ºC e 3ºC e máximas abaixo dos 15ºC, os santa-marienses iniciaram a semana com um misto de calor e vento forte pela manhã e chuva e queda de temperatura à tarde.
Conforme o Grupo de Modelagem Atmosférica (GruMA) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) as mudanças climáticas no Rio Grande do Sul foram causadas pela formação de um ciclone extratropical sobre o Uruguai. Para os próximos dias, a previsão é que os ventos frios vindos do Sul estabilizem o tempo e baixem a temperatura (veja quadro).
De acordo com o setor de meteorologia da Base Aérea (Basm) a temperatura máxima ontem foi 26,5ºC, às 13h, e a mínima foi registrada duas horas depois, 13,4ºC às 15h. O problema é que o calor veio associado a um vento forte, com velocidade média de 40 km/h, mas que teve picos que chegaram aos 70 km/h (8h) e causaram estragos na cidade.
Meri Guilherme Engel transitava pela Rua Barão do Triunfo, por volta das 11h, próximo à Praça dos Bombeiros quando ouviu um barulho muito alto. “Foi um estrondo, mas não imaginei que fosse essa árvore caindo em cima do meu carro na hora que eu vinha passando para abastecer em um posto aqui perto”, comenta o vendedor de 49 anos.
Além de atingir o teto e a lateral do veículo, a árvore destruiu o abrigo de ônibus que fica no local – espécie de terminal da linha UFSM-Bombeiros. Ninguém ficou ferido. Apesar de centenas de estudantes utilizarem a parada diariamente, no momento da queda, não havia ninguém no local.
Engel acionou o seguro do veículo, mas não sabia se haveria alguma indenização por parte da prefeitura.
O trânsito ficou bloqueado na rua, no trecho entre Doutor Bozano e Coronel Niederauer, por cerca de quatro horas. Agentes da Diretoria Municipal de Trânsito (DMT) interromperam o fluxo nos entroncamentos até às 15h, quando a árvore foi retirada pela Secretaria de Proteção Ambiental e a via liberada.
Estragos – A ventania derrubou outra árvore na Rua Quintino Bocaiúva (próximo à Rua dos Andradas) e inclinou um poste na Rua Daudt com Coronel Portinho. Segundo o Corpo de Bombeiros cabos de energia elétrica arrebentaram com a força dos ventos na Avenida Walter Jobim, região Oeste do município. O problema foi solucionado ainda pela manhã.
De acordo com a AES Sul – empresa concessionária de energia – 20 mil clientes de quatro bairros – Camobi, Patronato, Medianeira e Passo d’Areia — ficaram sem luz na cidade, devido aos estragos causados na rede de distribuição. Os principais danos foram condutores arrebentados e galhos sobre a rede elétrica.
Pelo menos três sinaleiras queimaram, duas na Rua dos Andradas, nas proximidades do campus do Centro Universitário Franciscano (Unifra) e uma na esquina das avenidas Walter Jobim e Maurício Sirotsky Sobrinho.
Previsão para os próximos dias*
Terça-feira (30/06)
Dia começa nublado em praticamente todo estado, principalmente na região norte, onde ainda existe a possibilidade de chuva. No restante do estado, nebulosidade variável e temperaturas baixas.
Em Santa Maria:
Temperatura mínima: 8°C
Temperatura máxima: 14°C
Sensação térmica
Manhã: 4°C
Tarde: 9°C
Quarta-feira (01/07)
Um sistema de alta pressão ingressa sobre o estado, deixando o tempo estável e as temperaturas baixas em todas as regiões.
Em Santa Maria:
Temperatura mínima: 6°C
Temperatura máxima: 16°C
Sensação térmica
Manhã: 3°C
Tarde: 10°C
*Fonte Grupo de Modelagem Atmosférica (GruMA) da UFSM
Cinco animais morrem eletrocutados na área rural
O professor Enio Marchesan nem imaginava o que estava ocorrendo com a sua criação de gado na manhã de ontem, enquanto ministrava aula para o curso de Agronomia na Universidade Federal de Santa Maria (UFSM).
Por volta das 9h, um poste de energia elétrica caiu no campo, onde estavam os animais. Três vacas e dois novilhos foram eletrocutados ao se aproximarem dos fios. Foram os vizinhos que salvaram o restante do rebanho que o professor possui numa propriedade rural em Faxinal da Palma, localidade de Arroio Grande.
Para Marchesan, o número de animais mortos só não foi maior devido a ação rápida dos vizinhos.” O comportamento animal é assim, quando veem um no chão, vão até o local para ver o que houve. Iriam morrer todos, um a um”, comenta o agrônomo.
Segundo ele, a AES Sul foi chamada e cortou a energia na rede que passa pela propriedade. O professor acredita que o poste estava deteriorado pelo tempo e há possibilidade que outros também estejam. “É prudente que a empresa faça uma revisão nos postes, porque enquanto são animais não é problema, mas se pode acontecer com pessoas deve ser evitado”, considera Marchesan.