
Parlamentares vão visitar a empresa responsável pela destinação dos detritos domiciliares. Foto Osvaldo Melo / A Razão
Lizie Antonello
A Comissão de Educação, Saúde e Meio Ambiente da Câmara de Vereadores de Santa Maria vai visitar o aterro sanitário do município, hoje, a partir das 8h. Os parlamentares querem saber de onde vem e qual o tratamento está sendo dado aos resíduos produzidos aqui e aos vindos de outras cidades.
A questão foi levantada devido a preocupação dos vereadores com o lixo trazido de São Borja. O motivo, conforme Manoel Badke (DEM), presidente da Comissão, seria a possibilidade de mosquitos portadores do vírus da Leischmania virem para o município, através do material.
A hipótese é descartada por Leomir Girondi, diretor da Tecnoresíduos, empresa responsável pela destinação dos detritos em Santa Maria. “Durante o transporte, a carga é compactada nos caminhões e coberta, não há nenhuma chance de virem mosquitos junto com o lixo. A única forma seria virem na cabina do veículo, como em qualquer outro”, considera Girondi.
Além da saúde, outra questão que aflige os vereadores é por que Santa Maria recebe lixo de outros municípios. De acordo com Badke, a resposta será buscada junto a Fundação Estadual de Proteção Ambiental (Fepam). É o órgão que libera licença para funcionamento dos aterros sanitários, baseada em projetos ambientais.
Diariamente, a cidade recebe 80 toneladas de resíduos sólidos urbanos vindas de 18 cidades da região. A vice-presidente da Comissão, vereadora Maria de Lourdes Castro (PMDB), solicitou uma cópia do contrato com a empresa para analisar uma forma de frear o recebimento do material. Somados aos 170 mil quilos produzidos aqui, são 250 toneladas de detritos domiciliares para tratamento por dia, conforme Girondi. Do total, apenas 15% é destinado à Central de Triagem para recicláveis. Os outros 85% tem como destino o aterro sanitário.
Aterro – A área liberada pela Fepam e utilizada pela empresa, no bairro Caturrita, região norte do município, é de 24 hectares. A capacidade do local, conforme projeto aprovado pela Fundação, é de receber 9 mil toneladas de lixo por mês, durante 30 anos.
O levantamento da Comissão pretende descobrir se existem riscos ao meio e a população. Caso seja comprovado algum perigo, os parlamentares vão cobrar medidas corretivas.
Conforme Maria de Lourdes, o grupo também vai verificar o trabalho de contenção de um vazamento de chorume que poderia estar contaminando o Arroio Ferreira, que corre na localidade.
Sistema de aterro foi implantado há um ano
O aterro sanitário de Santa Maria foi criado há menos de um ano, quando o antigo lixão foi desativado. A Tecnoresíduos foi escolhida através de um processo de licitação iniciado em março do ano passado. A firma é responsável pelo gerenciamento do aterro e infra-estrutura necessária para destinação final dos resíduos. O tratamento é feito em duas etapas. Na triagem, o material passa por esteiras rolantes onde, os recicladores fazem a separação de plástico, vidro, papel, metal e material orgânico.
Os resíduos não aproveitáveis vão para o aterro – espécie de vala forrada com lona, para evitar vazamentos. Drenos dão vazão ao gás metano e ao chorume (substância líquida expelida pela decomposição dos detritos). O lixo ainda será compactado com camadas de terra. Quando a “vala” enche, a lona é fechada, isolando todo o lixo do meio ambiente.