
Polícia esteve no local onde o suposto ataque teria ocorrido, na madrugada de 27 de janeiro. No detalhe, o rascunho com a imagem do animal feita do próprio punho da vítima. Foto Jornal A Palavra
Fabricio Minussi
Uma semana após o fato ter sido tornado público o delegado substituto de São Sepé, Marcos Rogério Ribeiro, teve acesso as informações do caso de uma jovem que disse ter sido atacado por um animal grande e peludo, possivelmente um lobisomem. O caso, ocorrido na pacata e progressista cidade de São Sepé, ganhou notoriedade na crônica policial e levanta dois questionamentos: o bicho realmente existe ou trata-se de alguém querendo se divertir as custas da tranquilidade e da fragilidade alheia? Foi simplesmente um ataque, uma agressão ou a investida do suposto animal teve conotação sexual?
A última vítima do dito lobisomem de São Sepé foi Kelly Martins Becker, 21 anos. Ela contou que teria sido atacada no início da madrugada de 27 de janeiro por um bicho que mais parecia ser um cachorro grande e peludo que ficava apoiado nas patas traseiras. O delegado Ribeiro conta que Kelly retornava de uma festa e ao bater na porta de casa um bicho enorme, medindo quase dois metros de altura, peludo, com os dentes grandes e pontiagudos surgiu pelo flanco esquerdo e a atacou.
“Ela tentou abrir a maçaneta da casa e gritou pelos pais. O animal a agarrou pelo pescoço e a levantou do chão. Arranhou-a com as unhas nos braços e rosto”, narrou o delegado. Após, o bicho teria carregado Kelly até os fundos da casa que fica na Vila Lili, e perto de uma parreira a soltou quando uma vizinha percebeu os gritos de socorro e acendeu a luz de casa. O animal fugiu e teria deixado as pegadas perto da janela lateral da casa. O rastro do bicho acabou desaparecendo. As lesões na vítima teriam sido constatadas num exame de corpo de delito.
Mesmo sem registro policial do caso mas pela repercussão do fato foi realizado, pela Polícia Civil, um levantamento junto a Brigada Militar (BM), que primeiramente recebeu a informação. A BM foi na residência da suposta vítima que descreveu o ataque mas não registrou oficialmente o episódio. Michele da Silva Pereira teria sido outra suposta vítima do animal peludo. Conforme a Polícia um bicho parecendo um lobisomem entrou no pátio da residência dela, que fica no Bairro Pontes. O animal teria atacado um galinheiro.
Outro detalhe do suposto ataque de 28 de janeiro que chama a atenção é que o suposto lobisomem teria agido em noite de lua crescente, contrariando o folclore popular de que o misto de homem e lobo só aparece em noites de lua cheia.
O delegado Ribeiro adianta que dificilmente os dois casos terão um desfecho em termos de investigação. A verdade é que os ataques cessaram após a repercussão na mídia. Ou o dito lobisomem não passa de mero folclore ou, então, o bicho detestou a exposição na imprensa e resolveu dar um tempo, permanecendo a espera do momento certo para atacar e fazer mais uma vítima. De concreto, nas mãos da Polícia, está o rascunho do animal, feito do próprio punho da vítima, para atiçar ainda mais a imaginação alheia.
A verdade é que muito pai de família acabou decretando toque de recolher para as filhas em São Sepé. Sinal de que pelo menos na imaginação das pessoas o lobisomem continua sendo uma ameaça real, pelo menos para a pacata comunidade sepeense. Pois, para a Polícia, tudo não deve passar de alguém, fantasiado, querendo assustar as mulheres da cidade. E pelo que se pôde notar, parece que ele conseguiu.
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