O sofrimento da família Kirchhof aumenta a cada dia que passa. Marisa Alves Abrantes, além sofrer com a perda recente do marido Gilnei Kirchhof Abrantes, ainda briga por seus direitos e por justiça. O policial militar (PM) de 41 anos foi morto no último dia três após reagir a um assalto em um posto de combustíveis, no Bairro Dores, em Santa Maria.
Segundo Marisa, a dor sentida por ela e pelos dois filhos, de seis e dez anos, é imensa. O filho mais velho, ouve repetidas vezes antes de dormir as mensagens de áudio enviadas por celular pelo seu pai, o qual tinha como exemplar. O irmão menor, está em estado de choque e não consegue aceitar a situação.
Ela e os filhos querem agilidade no processo de auxílio financeiro, já que, desde a morte do PM estão se mantendo com ajuda de familiares e ex-colegas de Kirchhof. A família também pede agilidade nas investigações. Conforme a viúva, o que colabora ainda mais com o sentimento de dor, é saber que o responsável por tirar a vida de um homem que era o pilar de sustentação de uma família está solto.
“Ele tem de ser colocado atrás das grades o quanto antes, pois assim como tirou a vida de Gilnei, pode estar cometendo outros crimes por aí. Queremos resultado”, afirma Marisa. A viúva pede que a sociedade se envolva, denuncie, se manifeste com qualquer informação que auxilie nas buscas, pois assim como a dela, outras famílias podem perder seus chefes por causa de criminosos covardes como este. “É um desejo de justiça, não de vingança”, diz Marisa.
O advogado da família, Daniel Tonetto, está trabalhando para que o assassino fique o maior tempo possível atrás das grades. “Sabemos que a Polícia Civil está fazendo um ótimo trabalho e que já possui suspeitos. Nós vamos fazer de tudo para que este delinquente pegue pena máxima.”, afirma ele. O advogado Antônio Carlos Porto e Silva também assiste a família Kirchhof.
A Polícia Civil já ouviu sete pessoas, chegou a investigar 14 indivíduos e diz ter a identidade do provável suspeito do crime, que é mantida sob sigilo. Outros três indivíduos também estão sendo investigados por participação na mesma tentativa de assalto que resultou na morte de Kirchhof.
Benefício – O que gera ainda mais tristeza e indignação entre os familiares do PM, é quanto a possibilidade de o assassino de Kirchhof receber o Auxílio-Reclusão que terá direito após ser preso, antes a viúva começar a receber a pensão do marido morto. Este benefício é pago pela Previdência à famílias de presos pobres que ficam desamparadas e tem a finalidade de evitar que os familiares do preso migrem para a marginalidade.
O 1º tenente da reserva da BM, primo do policial Gilnei, e também acadêmico de direito, Arnildo Kirchhof, considera um abuso o auxílio.
“Isso não pode acontecer. A família está desamparada, recebendo ajuda de amigos, vizinhos e familiares; e esse indivíduo, quando preso, ainda terá direito a benefício.”, disparou Arnildo. Segundo ele, a liberação da pensão pode levar cerca de 4 meses.