Fabricio Minussi
O vício no crack pode ter levado um indivíduo a matar cachorros e vender a carne para para saciar o desejo de consumir a pedra. O fato teria ocorrido em Caçapava do Sul e o caso já está sendo investigado pela Polícia Civil e Ministério Público (MP).
Mais de uma dezena de cães foi morta e acabou na mesa de moradores da Vila Promorar. Um indivíduo de 28 anos que estaria internado numa clínica de reabilitação em Pelotas, seria o autor da matança. O caso foi denunciado ao Ministério Público (MP) e virou motivo de inquérito para a Polícia Civil.
De acordo com a delegada Fabiana Bittencourte um pedaço de carne foi apreendido pela Polícia com um morador da Vila Promorar. A peça teria sido deixada pelo indivíduo para que o morador guardasse para ele enquanto viajava. A carne foi congelada e a delegada mandará o material para ser periciado.
A investigação apurou, preliminarmente, que pelo menos duas pessoas teriam adquirido e consumido a carne que teria sido vendida como ovelha ou porco, com preço bem abaixo do praticado no mercado. Paletas, quartos e costelas eram os pedaços comercializados como especiais para churrasco.
A delegada afirma que os animais provavelmente eram recolhidos em via pública. As carcaças de cerca de dez cachorros abatidos foram localizadas num matagal da Vila Promorar, próximo da residência do suspeito. Vísceras, couro, patas e cabeças de animais adultos e um filhote que estava enterrado dentro de sacos com pratos reforçam a suspeita da ação do indivíduo que poderá responder por crime ambiental e contra a relação de consumo, com a qualificadora de poder oferecer risco à saúde das vítimas.
A Polícia não divulga a identidade do suspeito. A delegada Fabiana diz conhecer o indivíduo acusado e que ele realmente tem problemas com drogas. Na Vila Promorar, o caso é obrigatório em qualquer roda de conversa. Quem diz ter comprado a carne do rapaz passa mal só de pensar no assunto.
“Trata-se de uma situação atípica. É preciso ver se existe disponível perito para analisar a carne apreendida e o enquadramento criminal, em caso de indiciamento, fica limitado às situações de crime ambiental e contra a relação de consumo”, afirmou a delegada, que também busca informações sobre o paradeiro do acusado.