
Concursados da Prefeitura foram ao MP com o objeto de representar contra a transferência de local de trabalho -
Fabricio Minussi
Cerca de 50 servidores municipais concursados lotados no Pronto Atendimento (PA) da Tancredo Neves foram ao Ministério Público (MP) Estadual na tarde de sexta-feira para representar contra a Prefeitura que informou, através da escala no mural da unidade de saúde da zona Oeste, que na próxima segunda-feira todos prestarão expediente no PA do Patronato. A mudança se deve pela troca da administração do PA da Tancredo.
Na próxima semana, conforme Termo assinado entre a Prefeitura, Hospital de Caridade Astrogildo de Azevedo, Associação Franciscana de Assistência à Saúde (Sefas) e governo do Estado, o Caridade assume a administração da unidade da Tancredo, transferindo mais de 60 funcionários que atuavam no Hospital Casa de Saúde. A medida foi acordada para se evitar uma demissão em massa de trabalhadores que atuavam no hospital do Bairro perpétuo Socorro dentro de antigo convênio celebrado entre o Caridade e a Prefeitura e que já foi encerrado.
Os funcionários não gostaram nem um pouco de serem informados pela escala e foram ao MP exigir audiência com um promotor público. “Estamos todos sendo deslocados”, disse a técnica em enfermagem concursada Neuza Maria de Moraes, 41 anos, sendo cinco deles dedicados à unidade da zona Oeste. “Todos queremos permanecer. Moramos e nos estruturamos na região onde estamos com nossas vidas ajustadas”, reclamou a técnica em enfermagem Cleuza Teresa Lago, 51 anos, sendo quase dez deles dedicados no PA do Patronato.
Procurado pela reportagem de A Razão, o coordenador do PA da Tancredo, Ciro Saraiva, não autorizou fotografar o mural onde supostamente estaria a escala dos funcionários para o mês de fevereiro. Já a assessoria de comunicação da Prefeitura informou que nenhuma escala foi elaborada e que na próxima terça-feira haverá uma reunião para tratar da questão da transição da gerência da unidade de saúde.
O provedor do Caridade, Walter Jobim Neto, foi pego de surpresa pela reportagem de A Razão ao ser informado que a partir de segunda-feira poderia assumir a gestão do PA do Patronato. Estamos na expectativa e ainda não fomos comunicados oficialmente sobre a possibilidade de assumirmos na segunda-feira. De qualquer forma, se assim for, estamos prontos para tocar a unidade de saúde, 24 horas, mantendo os serviços prestados hoje”, disse Jobim Neto.
Os funcionários do PA da Tancredo foram recebidos pelo promotor Joel Oliveira Dutra. Acompanhados da integrante da Comissão de Serviços Públicos e Direitos Humanos da Câmara Municipal, vereadora Helen Cabral (PT), os servidores relataram a situação ao representante do MP. O promotor salientou que, por enquanto, não existe nada de irregular, pois os servidores são funcionários do Município e não da unidade de saúde.
Oliveira Dutra ressalta, no entanto, que numa eventual transferência para outra repartição, que os servidores devem ser previamente notificados de forma oficial. Já a vereadora Helen Cabral entende que os concursados não poderiam ser transferidos em detrimento de uma instituição privada.