
Governadora Yeda Crusius participou da inaugural do Colégio Tiradentes. Foto Eduardo Barreto / A Razão
Maiquel Rosauro
“Eu não estou de passagem. Estou aqui para lançar sementes”. Assim, a governadora Yeda Crusius (PSDB) resumiu sua passagem por Santa Maria, ontem, ao discursar antes da aula inaugural do Colégio Tiradentes. A tucana se prontificou a municipalizar o Distrito Industrial e transferir a RS 509 (da Base Área até o Trevo do Castelinho) para o Município.
Yeda chegou ao Colégio às 17h50 – quase uma hora e meia atrasada. Após fazer a revista da tropa, ela seguiu para a cerimônia dentro da instituição, onde foi muito atenciosa, sobretudo, com os estudantes. “Eu queria dizer às meninas que tentei sei militar, mas na minha época mulher não podia entrar. Aproveitem hoje esta oportunidade de escolha”, declarou. A governadora ainda fez questão de destacar todas as autoridades presentes no cerimonial e relatou que o prefeito Cezar Schirmer (PMDB) pediu para que ela assumisse responsabilidades com o município.
“O prefeito quer transformar uma RS (509) em uma estrada em uma avenida principal e quer tomar conta do Distrito Industrial. Ele terá todo o meu apoio nestas duas iniciativas”, afirmou.
Conforme Schirmer, o objetivo também é conseguir recursos para duplicar o trecho da rodovia a ser municipalizado. “Nem precisei falar muito com a governadora e nem cobrar nada. De imediato, ela se mostrou muito acessível e comprometida com o município”, argumentou o prefeito.
Escrituras da Santa Marta ainda sem definição
Durante entrevista coletiva com a imprensa, Yeda argumentou que não esperava enfrentar tantas dificuldades para transferir as escrituras da área da Nova Santa Marta para o Município. “Esses problemas não impedem as obras. Vamos nos unir ao prefeito Schirmer para resolver a situação”, explicou.
Yeda demonstrou indignação quanto às denúncias de irregularidades cometidas pelo chefe de gabinete da governadora, Ricardo Lied, a partir da divulgação de gravações de conversas do vereador de Lajeado, Márcio Klaus. “É surreal o que está acontecendo. Temos que nos explicar a respeito de uma fita conseguida de maneira ilegal. Isto é uma tentativa de nos desprestigiar”, apontou.
Uma sindicância foi instalada ontem à tarde para apurar as possíveis irregularidades. Ela será presidida pelo Chefe da Casa Civil adjunto, procurador de Justiça aposentado, Francisco de Assis Cardoso Luçardo, e integrada pelo procurador do Estado Rodrigo Krieger Martins e pelo agente fiscal do Estado Antônio da Silva Alves. A previsão é que os trabalhos durem 30 dias.
Pesquisa – O Datafolha divulgou no final de semana uma pesquisa referente a eleição para o governo do Estado, em 2010, na qual Yeda aparece em terceiro lugar com 9% das intenções de votos. Na frente dela, surgem o ministro da Justiça, Tarso Genro (PT), com 30%, e o prefeito de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), com 27%. Quanto ao seu desempenho, Yeda foi irônica: “Achei a pesquisa maravilhosa, quero que vocês (jornalistas) vão com tudo para cima do Tarso e do Fogaça e me esqueçam”.
Protesto – Na chegada da governadora ao Colégio, estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) e membros do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da instituição realizaram um protesto nas esquinas das ruas Bento Gonçalvez e Pinto Bandeira. Porém, Yeda acabou não vendo a manifestação.