O nome Salvador Lamberty já é conhecidíssimo no meio nativista do Estado. Vencedor de diversos festivais, possui duas mil músicas de sua autoria e é autor de seis livros.
Mas o que ninguém sabe é que, além de compositor, Salvador é apaixonado por espécies de plantas exóticas. E essa paixão está bem plantada em 200 hectares de terra, sendo 10 da Reserva Nativa Salvador Lamberty.
A propriedade está localizada às margens do Rio Jaguari, em São Francisco de Assis. Ao todo, são 400 espécies exóticas e nativas de frutas, fora do comum. “Coleciono a natureza há 35 anos”, afirma o músico que sempre gostou da natureza.
Essa é a única coleção de frutas exóticas na região sul.
As sementes das espécies vieram de países como Itália, Israel, Portugal, Espanha, região do Ceilão, Madagasgar e Austrália. Além disso, muitas vieram de colecionadores de Minas Gerais e São Paulo, amigos de Salvador, com quem troca sementes.
Com essa plantação, Salvador tem um único objetivo: preservar as árvores da extinção. “Acredito que existam todas as cores primárias em frutas e flores e os homens as extinguiram”, lamenta.
Em sua coleção, existem algumas espécies com as quais já completou as cores primárias como a pitanga. Essa vitória ele comemorou depois de 30 anos de pesquisa quando encontrou a cereja do RS amarela. “Tem também a preta, a madagasgar, a napolitana a do Ceilão”, ensina.
Raridades – Cada variedade tem uma história: da Ume, uma fruta japonesa, só existiam 11 mudas que eram comercializadas a R$ 2.500 a muda. Localizou um casal de japoneses, em Santa Maria, e pediu para eles trazerem a semente. A partir do momento em que a planta começou a dar frutos, ele passou a doar a semente. “Aqui é tudo gratuito. Sou semeador”, ressalta, dizendo que não explora economicamente sua produção.
Salvador não sabe dizer qual a árvore mais exótica que possui, mas lista as mais raras como o Mirtílio dos Estados Unidos, a Macadâmia, a Pitaia da Colômbia – que para Salvador é a fruta mais gostosa – entre outras.
Para cuidar da sua plantação, o colecionar tem três empregados, mas é ele quem planta e poda as árvores.
Perguntado se já recebeu algum prêmio ou distinção pela sua Reserva, Salvador é categórico ao dizer que “sou um homem de laboratório e não de luz. Sou apaixonado pela natureza. Prêmio não quero”.
A propriedade de Salvador é como uma escola para estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Em troca, a UFSM serve como banco de sementes para Salvador.
Projeto – Um projeto de Salvador é catalogar as árvores, que até agora não são identificadas. As praquetas de indentificação conterão nome científico, vulgar e país de origem. Por isso, quando recebe visitas de professores e alunos ele mesmo mostra uma por uma as espécies. “Sei de cor. Reconheço todas”, diz orgulhoso.
Para Salvador, a maior virtude de sua Reserva é o instinto de colecionar para preservar. “Se eu não existisse, há 30 anos muitas árvores estariam extintas. O homem vai extinguir todas as espécies”.
Quem quiser saber mais sobre as plantas ou se tornar um colecionador pode entrar em contato com Lamberty pelo telefone (55) 9938 5353.